STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
Apesar de inaugurada com grande expectativa em abril de 2024, no auge da epidemia de dengue em Minas Gerais, a Biofábrica Método Wolbachia, localizada no bairro Gameleira, em Belo Horizonte, ainda não entrou em operação.
Foto: Pixabay Projetada para ser uma das principais estratégias do Plano de Contingência Nacional contra dengue, zika e chikungunya, a instalação permanece parada há quase quatro meses. Testes de conformidade realizados pela Fiocruz, em parceria com o World Mosquito Program (WMP), reprovaram a estrutura por falhas nos parâmetros de temperatura, umidade e até na construção física. O Termo de Conclusão da Obra, inclusive, ainda não foi assinado.
Financiada pela mineradora Vale como parte do acordo de reparação pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, a biofábrica deveria beneficiar Brumadinho e outros 21 municípios da bacia do rio Paraopeba, inicialmente com a liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia, tornando-os incapazes de transmitir arboviroses. Contudo, moradores dessas regiões seguem à espera de uma medida concreta contra a doença, enquanto Minas Gerais já soma 26 mortes por dengue e mais de 32,4 mil casos em 2025.
Segundo a Fiocruz, a obra, que custou aproximadamente R$ 20 milhões, apresentou diversas intercorrências durante três meses de testes. A entidade informou que aguarda medidas efetivas por parte da Vale e da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) para que a estrutura seja finalmente colocada em funcionamento.
O secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, reconheceu os problemas, incluindo falhas na climatização e drenagem de água, que estariam sendo corrigidas pela Vale. A mineradora, por sua vez, afirma que os problemas são normais na fase de Operação Assistida e que a estrutura já estaria funcional, embora a Fiocruz considere que ainda não há condições para operação plena.
Mesmo sem uma previsão oficial para o início da produção, a expectativa da SES-MG é que os “Wolbitos” — nome dado aos mosquitos com Wolbachia — comecem a ser liberados ainda este ano. A instalação tem capacidade para produzir até 2 milhões de mosquitos semanalmente.
Para Maria Regina da Silva, atingida pela tragédia de Brumadinho, o atraso na funcionalidade da biofábrica representa um desrespeito com o processo de reparação. Ela perdeu a filha na tragédia e cobra a implementação de projetos que deem novo significado à perda das vítimas.
A infectologista Luana Araújo alerta para os riscos da demora, destacando que o Brasil enfrenta a reintrodução do sorotipo 3 da dengue e que 2025 ainda é um ano de risco. Segundo ela, a ineficiência em operacionalizar iniciativas como essa pode gerar consequências graves para a saúde pública.
Os primeiros cinco anos da biofábrica terão investimento total de R$ 57 milhões, arcados pela Vale. Depois desse período, a gestão será transferida à Fiocruz, que já opera unidades semelhantes no país. O terreno onde a biofábrica está construída pertence ao governo de Minas Gerais.