Apostas online e o risco invisível: especialistas alertam para aumento do vício; saiba os sinais

Especialistas apontam aumento de casos de transtorno do jogo, com impactos na saúde mental, nas finanças e pressão por regulação e tratamento.

27/03/2026 às 16:04 por Redação Plox

O avanço das apostas online no Brasil tem acendido um alerta entre especialistas e autoridades de saúde pública. Impulsionadas pela facilidade de acesso e pela ampla divulgação em plataformas digitais, as chamadas “bets” vêm atraindo milhões de usuários — e, junto com eles, um número crescente de casos de dependência.


Levantamentos recentes indicam que cerca de 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas em um período de seis meses. Dentro desse grupo, até 12,8 milhões podem estar em situação de risco para desenvolver comportamento compulsivo. Outro dado aponta que aproximadamente 10,9 milhões de pessoas já apresentam padrões de apostas considerados prejudiciais, com impactos diretos na saúde mental e na vida financeira.


O avanço das apostas online no país evidencia um desafio crescente: equilibrar a regulamentação do setor com a proteção da saúde da população.

O avanço das apostas online no país evidencia um desafio crescente: equilibrar a regulamentação do setor com a proteção da saúde da população.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.

Dependência já é tratada como questão de saúde

O problema passou a ser encarado como uma questão de saúde. A ludopatia, também chamada de transtorno do jogo, é reconhecida como uma condição mental e pode estar associada a quadros de ansiedade, depressão e endividamento. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para isolamento social e rompimento de vínculos familiares.

Setor cresce e pressiona o orçamento das famílias

O crescimento do setor também chama atenção pelo volume financeiro. Estimativas apontam que as apostas online movimentaram cerca de R$ 130 bilhões no Brasil em 2024, com reflexos diretos no orçamento de muitas famílias. Em alguns casos, o dinheiro destinado a despesas básicas acaba sendo comprometido com jogos


Além disso, estudos indicam que os impactos sociais e econômicos desse comportamento podem chegar a R$ 38,8 bilhões por ano, considerando custos com saúde, perda de produtividade e outros efeitos indiretos.


Um indicativo do aumento da preocupação é a busca por mecanismos de controle: cerca de 300 mil pessoas já solicitaram autoexclusão de plataformas de apostas, em uma tentativa de conter o comportamento compulsivo.

Jovens aparecem entre os mais vulneráveis

Especialistas apontam que adolescentes e jovens adultos estão entre os grupos mais expostos. Pesquisas mostram que mais da metade dos jovens que apostam apresenta risco elevado para dependência,  um índice superior ao observado na população adulta.

A facilidade de acesso por meio de celulares, somada à publicidade intensa e à promessa de ganhos rápidos, contribui para a adesão precoce e dificulta a percepção dos riscos. A psicóloga Marcela Sevidanes explica como o vício em apostas se desenvolve.



Marcela Sevidanes - Psicóloga.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Do hábito ao transtorno: sinais de alerta

O transtorno do jogo é caracterizado pela incapacidade de controlar o impulso de apostar, mesmo diante de prejuízos evidentes. Entre os sinais de alerta estão o aumento progressivo dos valores apostados, tentativas frustradas de parar, mentiras sobre o comportamento e o uso de recursos financeiros essenciais para continuar jogando.


Estimativas internacionais indicam que entre 1% e 3% da população mundial apresenta algum nível de dependência em jogos de azar — percentual que pode crescer com a expansão das plataformas digitais. Marcela destaca sobre sinais de alerta e consequências.



Marcela Sevidanes - Psicóloga.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.

Consequências vão além do prejuízo financeiro

Os efeitos do vício em apostas ultrapassam as perdas financeiras. Entre as principais consequências estão o agravamento de transtornos psicológicos, conflitos familiares e dificuldades no ambiente de trabalho.


Especialistas também alertam para a relação entre o jogo compulsivo e o aumento do risco de suicídio em casos mais severos.

Diante desse cenário, cresce a discussão sobre a necessidade de medidas de regulação, controle da publicidade e ampliação do acesso a tratamento para pessoas afetadas. A  Psicóloga Marcela orientan sobre prevenção e busca por ajuda.



Marcela Sevidanes - Psicóloga.

Vídeo: Stella Dutra / Plox Brasil.


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