Ibaneis pede ao FGC empréstimo de R$ 4 bilhões para reforçar capital do BRB
GDF oferece participações em estatais e imóveis como garantia; pedido ocorre em meio a déficit do DF e perdas do banco ligadas a operações com o Banco Master
27/03/2026 às 17:01por Redação Plox
27/03/2026 às 17:01
— por Redação Plox
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O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, solicitou um empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB). O pedido foi formalizado por meio de carta enviada ao fundo.
Segundo o governo, a intenção é garantir a continuidade dos serviços financeiros, apoiar políticas públicas e preservar a liquidez da instituição.
Ibaneis Rocha pede empréstimo de 4 bilhões para salvar Banco de Brasília.
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil
Condições previstas para a operação
A proposta prevê carência de um ano e seis meses, com pagamentos semestrais. A remuneração deve seguir o CDI acrescido de spread, em condições que ainda serão definidas pelo FGC.
O modelo apresentado inclui tanto reforço de capital quanto a possibilidade de uma linha de liquidez, em formato ainda sujeito a ajustes entre as partes.
Imóveis e participações em estatais entram como garantias
Para viabilizar o crédito, o Governo do Distrito Federal propôs como garantias participações acionárias em empresas públicas, como a Caesb, o BRB e a CEB, além de nove imóveis públicos autorizados em lei.
Parte dos ativos, no entanto, enfrenta questionamentos. A área conhecida como Serrinha do Paranoá, por exemplo, teve o uso de garantias suspenso pela Justiça local, embora ainda caiba recurso.
Outro ponto de controvérsia é o Centrad, complexo administrativo sem uso há mais de uma década e envolvido em disputa judicial.
GDF diz que aporte busca recompor indicadores exigidos
O Governo do Distrito Federal classifica a operação como “estruturante” e afirma que o objetivo é recompor indicadores exigidos pela regulação bancária, como o Índice de Basileia, que mede a solidez das instituições financeiras.
Entre os resultados esperados pelo governo estão a expansão da carteira de crédito, o financiamento de infraestrutura e habitação, o apoio a micro e pequenas empresas e o estímulo à economia local e à arrecadação.
Pedido ao FGC ocorre em meio a dificuldades fiscais e pressão no BRB
A iniciativa ocorre em meio a dificuldades fiscais do DF. O governo local recorre ao FGC após encerrar 2025 com déficit de cerca de R$ 1 bilhão e sem capacidade de obter garantia do Tesouro Nacional para operações de crédito.
No caso do BRB, a situação também é pressionada por perdas associados a ativos problemáticos e pela necessidade de elevar provisões, estimadas em bilhões de reais.
Negociação ainda está em fase inicial
O processo depende da análise do FGC sobre viabilidade, risco e adequação às regras do fundo. O Palácio do Buriti informou que prepara documentos como plano de negócios, plano de capital e diagnóstico financeiro, além de uma proposta detalhada de garantias e cronograma de implementação.
A liberação dos recursos dependerá da avaliação da capacidade de pagamento e da consistência dos ativos oferecidos.
Operações com o Banco Master e risco de sanções
Investigações indicam que o BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos considerados irregulares do Banco Master. A instituição afirma, contudo, que conseguiu recuperar parte desses recursos.
Atualmente, a necessidade de provisões do BRB gira em torno de R$ 8,8 bilhões, mas uma auditoria forense independente estima um impacto maior, de até R$ 13,3 bilhões, relacionado a operações com indícios de falta de lastro.
O banco também enfrenta dificuldades para divulgar os resultados de 2025 dentro do prazo, até o fim deste mês, e o Banco Central tem resistido a conceder a prorrogação.
Sem publicar balanços desde o segundo trimestre do ano passado, o BRB pode sofrer punições do BC se não publicar os resultados de 2025. Entre as sanções possíveis estão intervenção pelo Banco Central, federalização (absorção por um banco federal) ou, em caso extremo de falta de caixa, a liquidação extrajudicial.