Dólar sobe a R$ 5,25 e Ibovespa cai com incertezas sobre cessar-fogo no Oriente Médio
Declarações divergentes entre EUA e Irã aumentaram a busca por proteção, enquanto o Banco Central atuou com leilões de linha e o petróleo disparou no exterior.
27/03/2026 às 09:00por Redação Plox
27/03/2026 às 09:00
— por Redação Plox
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O mercado financeiro viveu um dia de nervosismo com as incertezas em torno de um possível cessar-fogo no Oriente Médio. O ambiente foi marcado por declarações conflitantes entre Estados Unidos e Irã, o que levou investidores a buscar proteção em ativos considerados mais seguros.
Dólar fecha em alta e tem sessão volátil
O dólar comercial terminou esta quinta-feira (26/3) vendido a R$ 5,25, com avanço de R$ 0,036 (+0,69%). A sessão foi instável: a moeda abriu em R$ 5,26, caiu para R$ 5,21 no fim da manhã e voltou a acelerar durante a tarde.
Dia foi marcado por declarações conflitantes entre Estados Unidos e Irã
Foto: pexels
Com o resultado, a moeda estadunidense acumula alta de 2,38% em março. Em 2026, no entanto, registra queda de 4,24%.
O movimento foi impulsionado pela busca global por segurança diante da escalada das tensões. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrastaram com a posição do governo iraniano, aumentando a incerteza sobre um eventual acordo.
Banco Central atua, mas pressão não cede
O mercado seguiu sensível e reagiu rapidamente a cada nova sinalização diplomática. O Banco Central (BC) chegou a atuar no câmbio com leilões de linha, injetando US$ 1 bilhão no mercado, sem conseguir conter a pressão de alta.
Na terça-feira (24), o BC já havia vendido mais US$ 1 bilhão, também em leilão de linha — modalidade em que a autoridade monetária vende dólares das reservas internacionais com o compromisso de recomprar o montante meses depois.
Ibovespa cai e interrompe sequência de altas
No mercado de ações, o tom também foi negativo. O Ibovespa, principal índice da B3, recuou 1,45%, aos 182.732 pontos, interrompendo uma sequência de três altas. Ao longo do dia, o índice oscilou entre máxima de 185 mil pontos e mínima próxima de 182 mil.
O desempenho acompanhou o cenário internacional, com quedas consideráveis nas bolsas de Nova York e maior cautela dos investidores. A falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã pesou sobre os ativos de risco.
Inflação e petróleo no radar
No cenário doméstico, a inflação também entrou no foco. A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15 de março, subiu 0,44%. O indicador desacelerou em relação a março do ano passado, mas ficou acima das expectativas do mercado, reforçando preocupações com o quadro inflacionário.
Já os preços do petróleo dispararam com o temor de interrupções no fornecimento global de energia. O barril do tipo Brent, referência internacional, subiu cerca de 5,7% e chegou a US$ 108,01.
O combustível acumula ganhos expressivos no mês e no ano, impulsionado pelas tensões na região do Golfo Pérsico. A ausência de um acordo imediato entre as partes eleva o risco de prolongamento do conflito e de impactos mais amplos na economia global.