Dia de combate à hipertensão alerta: doença silenciosa atinge cerca de 30% dos adultos no Brasil

Cardiologista do Hospital Márcio Cunha destaca riscos como AVC, infarto e doença renal e reforça medição anual da pressão a partir dos 18 anos, além de acompanhamento contínuo

27/04/2026 às 12:26 por Redação Plox

Celebrado no último domingo, 26 de abril, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial reforça o alerta para uma das doenças crônicas mais comuns e perigosas da atualidade. Conhecida como pressão alta, a hipertensão costuma evoluir sem sinais claros, o que faz com que muitas pessoas convivam com o problema por anos sem saber.

Release - Silenciosa e perigosa: tecnologia e acompanhamento contínuo ajudam a controlar a hipertensão

Foto: Divulgação

No Brasil, segundo dados da pesquisa Vigitel 2025, cerca de 30% da população adulta vive com hipertensão — um dos principais fatores de risco para problemas cardiovasculares. Estudos também indicam que a prevalência aumenta com a idade e pode ultrapassar metade da população acima dos 60 anos.

Doença silenciosa, danos progressivos

O cardiologista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Milton Henriques, explica que a hipertensão é considerada silenciosa porque, na maioria das vezes, não provoca sintomas perceptíveis. Segundo ele, a elevação da pressão arterial tende a ocorrer de forma gradual e sem sinais evidentes.

O paciente pode conviver durante anos com níveis elevados de pressão sem sentir nada. O problema é que, nesse período, a pressão alta vai causando danos progressivos aos vasos sanguíneos e a vários órgãos do corpo

Dr. Milton Henriques

De acordo com o médico, esses danos podem levar a complicações graves ao longo do tempo, como insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC) e doenças renais que podem evoluir para a necessidade de diálise. Ele também destaca a relação direta entre hipertensão e duas das principais causas de morte no Brasil: infarto e AVC. Além disso, a condição pode provocar alterações em grandes vasos, como a aorta, aumentando o risco de aneurisma.

Medição regular e diagnóstico precoce

O cardiologista reforça que muitos pacientes só descobrem a doença quando as complicações aparecem. Por isso, a medição regular da pressão arterial é considerada fundamental. A Diretriz Brasileira de Cardiologia sobre Hipertensão Arterial recomenda que adultos a partir dos 18 anos tenham a pressão medida pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas, já que o controle reduz significativamente o risco de complicações e ajuda a preservar a qualidade de vida.

Fatores de risco e o papel do sal na dieta

Entre os fatores de risco mais frequentes estão avanço da idade, histórico familiar, excesso de peso, sedentarismo e alimentação rica em sal. O consumo elevado de sódio, especialmente presente em alimentos ultraprocessados, é apontado como um dos principais agravantes. A orientação é que o consumo diário não ultrapasse cinco gramas de sal por dia — o equivalente a uma colher de chá rasa. O texto ressalta ainda que alimentos naturais, sem adição extra, já possuem cerca de 2g de sal.

Distúrbios do sono também podem contribuir para o problema. A apneia do sono, caracterizada por pausas na respiração durante o descanso e frequentemente associada ao ronco, está relacionada ao aumento da pressão arterial e pode agravar quadros já existentes.

Tratamento contínuo e tecnologia como aliada

Embora seja uma doença crônica, a hipertensão pode ser controlada com diagnóstico adequado e tratamento contínuo. Mudanças no estilo de vida — como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do peso — são descritas como medidas fundamentais. Em muitos casos, também é necessário o uso contínuo de medicamentos.

O cardiologista do HMC destaca que a tecnologia tem fortalecido o acompanhamento, com a automedição da pressão arterial em casa por meio de aparelhos digitais com braçadeira no braço. Quando feita corretamente, essa rotina ajuda o paciente a acompanhar a própria saúde e leva informações importantes para a avaliação médica.

Segundo ele, o monitoramento também aumenta o engajamento no tratamento, à medida que o paciente compreende que manter a pressão sob controle significa reduzir o risco de infarto, AVC e outras complicações.

Alerta: não interromper a medicação por conta própria

Outro ponto enfatizado é a importância de não suspender o tratamento sem orientação médica. Mesmo com a pressão controlada, a medicação deve ser mantida conforme indicação profissional, já que a interrupção pode fazer os níveis voltarem a subir e elevar o risco de complicações ao longo dos anos.

O Dia Nacional de Combate à Hipertensão é lembrado como uma oportunidade para reforçar que pequenas atitudes podem fazer grande diferença. Medir a pressão com regularidade, manter hábitos saudáveis e realizar acompanhamento médico são passos essenciais para prevenir complicações e ampliar a qualidade de vida — porque, apesar de silenciosa, a hipertensão pode ser controlada quando diagnosticada e tratada adequadamente.

Hospital Márcio Cunha

Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação, o Hospital Márcio Cunha possui 558 leitos e três unidades, sendo uma exclusiva para o tratamento oncológico. Atende uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com serviços em áreas como ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil, entre outras.

No último ano, foram cerca de 5.580 partos, aproximadamente 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.

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