Prazos eleitorais provocam troca de prefeitos em 11 cidades de Minas Gerais

Após fim da desincompatibilização e da filiação partidária, prefeitos deixaram cargos para disputar as eleições; houve ainda mudanças de legenda e articulações por vagas no Legislativo e no Senado

27/04/2026 às 11:30 por Redação Plox

Após o encerramento de dois prazos-chave do calendário eleitoral — o de desincompatibilização e o de filiação ao partido pelo qual o candidato pretende concorrer —, finalizados em 4 de abril, municípios de Minas Gerais passaram a ser comandados por novos prefeitos.

Levantamento de O TEMPO aponta que 11 dos 853 municípios mineiros tiveram troca no comando do Executivo, porque os titulares deixaram os cargos para disputar algum posto nas eleições deste ano. No mesmo período, também houve mudança de partido por parte de 11 prefeitos, embora nem todos tenham renunciado ao posto.

Dos prefeitos que deixaram o cargo, oito já definiram pré-candidatura para deputado estadual ou federal

Dos prefeitos que deixaram o cargo, oito já definiram pré-candidatura para deputado estadual ou federal

Foto: Willian Dia/ALMG


Renúncias seguem exigência do calendário eleitoral

A desincompatibilização é a exigência legal de afastamento de determinadas funções públicas para quem pretende concorrer a cargos eletivos. Neste ano, as eleições vão definir presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais e governadores.

Para se candidatar, prefeitos precisavam renunciar até seis meses antes do pleito, prazo que também vale para estar filiado ao partido pelo qual pretendem disputar a eleição.

Dos 11 prefeitos que deixaram o cargo em Minas, sete também trocaram de partido de olho na disputa eleitoral. Oito miram o Legislativo: quatro são pré-candidatos a deputado estadual e quatro buscam uma vaga na Câmara Federal. Até o momento, há uma pré-candidatura ao Senado, da ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). Outros dois nomes ainda não definiram o destino eleitoral: Luís Eduardo Falcão, de Patos de Minas, e Gleidson Azevedo, de Divinópolis.*

Os dois se filiaram ao Republicanos e são ventilados para compor uma chapa ao governo de Minas como vice. No caso de Gleidson, também circula nos bastidores a possibilidade de disputar uma cadeira no Senado. Segundo interlocutores, porém, ambos provavelmente deverão se candidatar à Câmara dos Deputados.

Vices assumem e mantêm linha política nas prefeituras

Na maior parte dos casos, a substituição dos prefeitos pelos vices não trouxe mudanças significativas de orientação política nas administrações municipais, já que as trocas ocorreram entre partidos considerados ideologicamente próximos.

Entre as siglas, o Avante foi o partido que mais ganhou prefeituras com as saídas dos gestores eleitos em 2024 e a chegada dos vices, somando três novos chefes do Executivo. Já o PL foi o que mais perdeu, com três líderes municipais a menos.

Considerando também o movimento de troca de partidos, o PL aparece como o que mais ganhou líderes do Executivo municipal nas mudanças recentes, com três novos cargos. Desde as eleições de 2024, o partido passou de 53 prefeitos eleitos para 67 atualmente no cargo — com entrada de nomes também fora da janela partidária, que se fechou neste mês.

Já o PSDB é o partido que mais perdeu prefeitos filiados no estado. Três deixaram a legenda neste ano. Agora, os tucanos têm 51 prefeituras, ante 59 após as eleições de 2024 — com outras saídas ao longo do período.

Do “varejo” municipal ao “atacado” político

Para o sociólogo Luiz Renato Ribeiro Pereira, a decisão de deixar uma prefeitura não se resume à questão financeira. Segundo ele, entram na conta variáveis como tempo de mandato, relevância local e regional, manutenção de foro privilegiado e ampliação do tempo de exposição.

“Para além dos números, outras variáveis entram nesses cálculos, como tempo de mandato, relevância local e regional, manutenção de foro privilegiado, ampliação do tempo de exposição”, pondera.

Na avaliação do sociólogo, a mudança representa também um salto de natureza e alcance do poder: ao migrar para o Legislativo estadual ou federal, o prefeito deixa a gestão cotidiana e passa a atuar em uma esfera mais ampla, com maior influência regional. Ele também chama atenção para arranjos locais, já que, muitas vezes, o vice que assume é aliado do titular e já atua na pré-campanha, além de acordos políticos nas Câmaras de Vereadores.

Emendas e orçamento: a disputa por mais capacidade de investimento

O texto também destaca o peso das emendas parlamentares no cálculo político. Na avaliação de Luiz Renato Ribeiro Pereira, a troca de posição — de quem pede recursos para quem direciona e distribui — pode ser decisiva, especialmente em municípios com orçamentos mais apertados.

O cenário varia conforme o tamanho das cidades. Em Belo Horizonte, por exemplo, há receitas previstas para este ano de R$ 24,1 bilhões, mas a prefeitura deve fechar o ano com déficit estimado de R$ 786 milhões. Em Contagem, a receita estimada é de R$ 4,2 bilhões, enquanto em Divinópolis gira em torno de R$ 1,2 bilhão.

Já no Legislativo, os valores citados são superiores: cada deputado estadual de Minas tem direito a R$ 26 milhões em emendas impositivas. No plano federal, cada deputado pode definir a aplicação de R$ 37,9 milhões, enquanto cada senador dispõe de R$ 69,6 milhões. As prefeituras, por outro lado, ficam vinculadas a despesas obrigatórias e, muitas vezes, têm menor margem para escolher a destinação do dinheiro.

Troca-troca nas prefeituras: quem saiu e quem assumiu

  • Buritizeiro: Pedro Braga (Solidariedade) saiu; Marcelo Osório (Avante) assumiu.
  • Capitólio: Cristiano Gerardão (PL) saiu; Jaime Leonel (Novo) assumiu.
  • Contagem: Marília Campos (PT) saiu; Ricardo Faria (PSD) assumiu.
  • Coromandel: Fernando Breno (PRD) saiu; Nerso Chihara (Republicanos) assumiu.
  • Curvelo: Luiz Paulo (PSB) saiu; Gustavo Nascimento (Avante) assumiu.
  • Divinópolis: Gleidson Azevedo (Republicanos) saiu; Janete Aparecida (Avante) assumiu.
  • Jaguaraçu: Marcio Lima (PRD) saiu; Marco Masseno (PL) assumiu.
  • Paracatu: Igor Santos (PL) saiu; Pedro Adjuto (PSD) assumiu.
  • Passos: Diego Oliveira (PSD) saiu; Maurício Silva (PSD) assumiu.
  • Patos de Minas: Luís Eduardo Falcão (Republicanos) saiu; Sandra Gomes (PL) assumiu.
  • Taiobeiras: Denerval Germano (PL) saiu; Danilo Mendes (União) assumiu.

Com as mudanças, Avante e PSD foram os partidos que mais ganharam prefeituras, com três cada. Já PL, PRD e Republicanos foram os que mais perderam o controle de municípios, com duas perdas cada.

Quem trocou de partido em Minas

  • Denerval Germano (Taiobeiras): do PSDB para o PL.
  • Diego do Cartório (Pedro Paraíso): do Solidariedade para o PL.
  • Gleidson Azevedo (Divinópolis): do Novo para o Republicanos.
  • Igor Santos (Paracatu): do União para o PL.
  • Luciano Madureira (Passa Bem): do Mobiliza para o PSD.
  • Luís Eduardo Falcão (Patos de Minas): estava sem partido e foi para o Republicanos.
  • Luiz Paulo (Curvelo): do Cidadania para o PSB.
  • Marcio Lima (Jaguaraçu): do PSDB para o PRD.
  • Maycon Willian (Machado): do PP para o Podemos.
  • Pedro Braga (Buritizeiro): do PSD para o Solidariedade.
  • Zé Wilson (Vespasiano): do PSDB para o PP.

Com as trocas, o PSDB foi o partido que mais perdeu filiados (três), enquanto o PL foi o que mais ganhou (três).

Disputa de vagas: destinos eleitorais informados

Deputado estadual: Diego Oliveira (PSD), Fernando Breno (PRD), Luiz Paulo (PSB) e Marcio Lima (PRD).

Deputado federal: Cristiano Gerardão (PL), Denerval Germano (PL), Igor Santos (PL) e Pedro Braga (Solidariedade).

Senado: Marília Campos (PT).

Indefinido: Luís Eduardo Falcão (Republicanos) e Gleidson Azevedo (Republicanos).

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