Participação feminina no trabalho cresce 11%, mas desigualdade salarial aumenta, aponta MTE

5º Relatório de Transparência Salarial indica avanço mais forte entre mulheres negras e pardas, enquanto diferença de remuneração nas empresas privadas com 100+ empregados sobe para 21,3%

27/04/2026 às 19:42 por Redação Plox

A participação feminina no mercado de trabalho cresceu 11%, com expansão das oportunidades especialmente para mulheres negras e pardas. Ainda assim, a desigualdade salarial permanece: nas empresas privadas com pelo menos 100 empregados, as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos do que os homens.

Os dados constam do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)


Participação feminina no mercado de trabalho cresceu 11%, mas houve aumento na desigualdade salarial.

Foto: Divulgação/Victor Caiano


Mais mulheres ocupadas, com avanço entre negras e pardas

Segundo o levantamento, o número de mulheres no mercado de trabalho passou de 7,2 milhões para 8 milhões de trabalhadoras — um acréscimo de cerca de 800 mil postos.

O avanço foi mais intenso entre mulheres negras (pretas e pardas): o total de ocupadas aumentou 29%, de 3,2 milhões para 4,2 milhões.

Diferença salarial se mantém e sobe em relação a 2023

Apesar do aumento do emprego, a desigualdade salarial entre homens e mulheres praticamente não mudou na comparação com o relatório anterior. Em 2023, as mulheres recebiam 20,7% menos; agora, a diferença subiu para 21,3%.

No salário mediano de contratação, a distância também aumentou, de 13,7% para 14,3%, variação considerada estatisticamente estável.

O relatório tem como base dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e reúne informações de cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados.

De acordo com o levantamento, o salário médio no país é de R$ 4.594,89. Já o salário contratual mediano — no meio da escala entre o menor e o maior valor — é de R$ 2.295,36.

Massa de rendimentos avança, mas segue abaixo da presença no emprego

A participação das mulheres na massa de rendimentos subiu de 33,7% para 35,2%. Mesmo com a alta, o percentual permanece abaixo da presença feminina no emprego, que é de 41,4%.

Para que a massa de rendimentos acompanhe esse patamar, o relatório aponta que seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos das trabalhadoras.

Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças

Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE

O levantamento também registra avanços em políticas internas, como ampliação de jornada flexível, auxílio-creche, licenças parentais estendidas e planos de cargos e salários. Além disso, cresceu o número de estabelecimentos com menor desigualdade salarial.

Desigualdade varia entre estados

O relatório aponta diferenças regionais. Os estados com menor desigualdade são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%).

Já os maiores níveis de desigualdade salarial aparecem em Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).

Relatório integra aplicação da Lei nº 14.611/2023

O estudo faz parte da aplicação da Lei nº 14.611/2023, que define a transparência salarial como instrumento para promover a igualdade de remuneração entre homens e mulheres. A legislação torna obrigatória a transparência salarial em empresas com 100 ou mais empregados e prevê medidas para combater a discriminação e ampliar a participação feminina no mercado de trabalho.

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