Lula diz que quem apostar em alta de dólar terá prejuízo

Em encontro do Conselhão, presidente destaca impactos e previsões econômicas

Por Plox

27/06/2024 15h43 - Atualizado há 15 dias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou, durante a 3ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, realizada no Itamaraty, que aqueles que apostam na valorização do dólar em relação ao real podem "quebrar a cara", como ocorreu em 2008. Lula atribuiu parte da alta do dólar à maneira "cretina" como algumas informações são divulgadas pela mídia.

Críticas à mídia e especulação financeira

Lula criticou comentaristas que associaram a alta do dólar à entrevista que concedeu ao portal UOL. "Quando eu terminei a entrevista, a manchete de alguns comentaristas era de que o dólar subiu pela entrevista do Lula. Os cretinos não perceberam que o dólar tinha subido 15 minutos antes de eu dar entrevista. Esse mundo perverso, das pessoas colocarem para fora aquilo que querem sem medir a responsabilidade do que vai acontecer, é muito ruim", disse o presidente.

O presidente também enfatizou que investidores que apostam na valorização do dólar em detrimento do real perderão dinheiro. "Pode ter certeza: quem tiver apostando derivativo vai perder dinheiro nesse país. As pessoas não podem ficar apostando no fortalecimento do dólar e no fracasso do real. Eu já vi isso em 2008. As pessoas que achavam que era importante ganhar dinheiro apostando no fortalecimento do dólar quebraram a cara. E vão quebrar outra vez", acrescentou.

Desonerações e responsabilidade fiscal

No encontro, Lula defendeu a gestão econômica do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacando as injustiças sofridas pelo ministro ao cobrar contrapartidas de setores beneficiados por desonerações. "Eu não sou contra desonerações, desde que apresentem contrapartidas para o trabalhador. Pelo menos que transforme isso em estabilidade para os trabalhadores. Não para fazer por fazer", afirmou o presidente.

Lula ressaltou que todas as suas gestões sempre priorizaram a responsabilidade fiscal e que a situação da dívida pública brasileira é muito melhor do que a de diversos países desenvolvidos. "Eu só posso gastar aquilo que eu tenho. Se eu tiver de fazer uma dívida, tem de ser uma dívida que vá permitir o aumento do patrimônio brasileiro. Portanto, vamos parar de olhar dívida pública brasileira com medo", argumentou.

Foco na microeconomia

O presidente também destacou a importância da microeconomia para a geração de empregos e oportunidades. "A microeconomia muitas vezes gera muitos empregos, junta muitas oportunidades e muitas vezes gera uma produtividade extraordinária. É o que a gente está fazendo neste instante. É preciso que você estude a macroeconomia, mas que saiba o que está acontecendo lá embaixo", explicou.

Lula reforçou que "muito dinheiro na mão de poucos significa pobreza, desemprego, prostituição, desnutrição e analfabetismo. Pouco dinheiro na mão de muitos significa exatamente o contrário: ascensão social de todas as classes sociais; mais educação, melhor transporte, mais salário e mais crescimento".

Visão de futuro

Questionando que tipo de sociedade se busca para o Brasil, Lula afirmou que o objetivo do governo é que cada trabalhador possa consumir o que produz. "Não foi Karl Marx quem disse isso. Foi Henry Ford. Ele disse textualmente que queria que seus trabalhadores comprassem os produtos que ele fabricava".

Lula concluiu destacando que nos últimos 15 meses, os bancos públicos têm disponibilizado mais crédito do que os privados. "Eles emprestam mais do que os privados. Provavelmente porque os privados estão comprando títulos do governo a 10,5%", finalizou, criticando as altas taxas de juros que desestimulam investimentos produtivos.

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