Botulismo: Polícia aponta causa de morte por torta de frango e indicia dono e padeiro de padaria
Delegada afirma que produto contaminado foi preparado em condições irregulares; dono e padeiro de padaria foram indiciados
Por Plox
27/08/2025 12h43 - Atualizado há 4 dias
A Polícia Civil confirmou, nesta quarta-feira (27), que a intoxicação sofrida por uma família após consumir uma torta de frango teve como causa a toxina botulínica — bactéria responsável pelo botulismo. A sobremesa havia sido adquirida em uma padaria do bairro Serrano, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Durante coletiva de imprensa, a delegada Elyenni Célida, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, detalhou que o padeiro e o dono da padaria foram indiciados por homicídio culposo e lesão corporal culposa, ou seja, sem intenção de matar. As vítimas foram uma idosa de 75 anos, que morreu, e um casal de 23 e 24 anos que também ingeriu o alimento e passou por internação.
A ingestão da torta ocorreu no dia 11 de abril. Cleuza Maria, de 75 anos, morreu em 27 de maio após sofrer um AVC, enquanto Fernanda Isabella de Morais Nogueira e José Vitor Carrilho Reis ficaram internados em estado grave e receberam alta cerca de dois meses depois.
De acordo com a investigação, o alimento estava impróprio para consumo e foi produzido sob condições sanitárias precárias. “Encontramos diversas irregularidades, como alimentos mal acondicionados, mistura de produtos crus com prontos, recipientes abertos e ausência de refrigeração adequada”, relatou a delegada.
Outro ponto levantado foi a informalidade do funcionário responsável pela produção da torta. “O padeiro estava no local há apenas cinco dias, não tinha registro em carteira e a empresa sequer sabia o nome completo ou endereço dele. Isso evidencia total descaso com a segurança alimentar”, destacou.
O caso ocorreu após o casal comprar a torta na Padaria Natália, em 21 de abril, e levá-la até a casa de Cleuza Maria. Ao notar sinais de deterioração, os dois retornaram ao local e devolveram o produto. No dia seguinte, os três passaram mal e foram internados.
A padaria foi interditada pela Prefeitura de Belo Horizonte, pois operava sem alvará sanitário. À época, o dono e o padeiro prestaram depoimento e foram liberados.
A defesa do padeiro informou que ainda não teve acesso ao inquérito policial.