Delegada esposa de acusado de matar gari é afastada do cargo por 60 dias
Hospital da Polícia Civil concedeu licença médica à delegada Ana Paula Lamego Balbino dois dias após o crime cometido por seu marido
Por Plox
27/08/2025 09h09 - Atualizado há 1 dia
A delegada Ana Paula Lamego Balbino, casada com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fernandes, foi afastada de suas funções na Polícia Civil por um período de 60 dias. O afastamento foi concedido pelo Hospital da corporação no dia 13 de agosto, dois dias após o crime, e está fundamentado em questões de saúde ligadas a abalo psicológico. O prazo ainda pode ser prorrogado por decisão médica.

Mesmo licenciada, a delegada permanece sob investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. O processo apura se houve algum tipo de falha em sua conduta, já que a arma utilizada por Renê no homicídio era de propriedade pessoal dela. Ele afirmou, no interrogatório, que retirou a pistola calibre .380 sem que a esposa tivesse conhecimento.
“Diante das circunstâncias, a Corregedoria-Geral instaurou procedimento disciplinar e inquérito policial para apurar todos os elementos com rigor e transparência”
, declarou a instituição.
A Polícia Civil informou nesta terça-feira (26/8) que tanto o inquérito quanto o procedimento administrativo continuam em andamento, sem repassar detalhes à imprensa. A delegada não foi localizada para comentar o caso.
O crime ocorreu na manhã de 11 de agosto, em uma rua do bairro Vista Alegre, na região Oeste de Belo Horizonte. Um caminhão de coleta de lixo estava parado quando um veículo BYD cinza se aproximou. O motorista do carro, identificado depois como Renê Júnior, teria sacado uma arma e ameaçado a condutora do caminhão. Em seguida, ele disparou contra o gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44 anos, que trabalhava na coleta. O tiro atingiu o tórax da vítima, que foi socorrida ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas não resistiu.
Após o crime, o suspeito deixou o local e seguiu normalmente sua rotina. Câmeras de segurança registraram Renê na empresa onde trabalhava em Betim, cumprimentando colegas e guardando a arma em uma mochila ao chegar em casa. Pouco depois, ele ainda passeou com os cães no condomínio antes de ir a uma academia de luxo, onde foi preso sem resistência.
A vítima, Laudemir, era funcionário da empresa Localix Serviços Ambientais, conhecido pela dedicação ao trabalho e pelo vínculo forte com a família. Ele deixou esposa, uma filha de 15 anos e enteadas. Durante o velório em Nova Contagem, familiares e amigos se emocionaram e cobraram justiça. A esposa, Liliane França, desabafou:
“O Lau não voltou. Me devolveram o Lau no caixão. Não pode ficar assim, tem que haver justiça”
.
Além da investigação contra o autor do disparo, a Corregedoria analisa a conduta da delegada por ser a proprietária da arma usada. O Ministério Público de Minas Gerais também pediu a responsabilização solidária de Ana Paula, solicitando bloqueio de até R$ 3 milhões para garantir eventual indenização à família da vítima.
O suspeito, de 47 anos, já ocupou cargos de destaque em multinacionais e recentemente havia assumido uma diretoria na Fictor Alimentos. Após a prisão, a empresa rescindiu a relação profissional e repudiou sua conduta. Ele está preso e responde por homicídio duplamente qualificado e ameaça. Seus advogados de defesa renunciaram ao caso logo após a divulgação dos vídeos que mostram seus passos após o crime.