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As investigações do Ministério Público de São Paulo avançam sobre um esquema bilionário de corrupção que envolve auditores da Secretaria da Fazenda estadual. O caso, revelado pela Operação Ícaro, expõe um sistema de pagamento de propinas estimado em R$ 1 bilhão, trazendo repercussões diretas para o governo de Tarcísio de Freitas, que tem buscado se projetar nacionalmente como presidenciável.
Foto :Governo de SP Segundo os promotores, o esquema funcionava desde 2021 e consistia em pagamentos ilegais em troca de facilidades na devolução de créditos de ICMS. As apurações apontam o auditor Artur Gomes da Silva Neto como líder do esquema. Ele teria usado uma empresa em nome da própria mãe, Kimio Mizukami, para movimentar o dinheiro ilícito. O crescimento patrimonial da empresa, a Smart Tax, chamou atenção: passou de R$ 411 mil em 2021 para R$ 2 bilhões em 2023.
Neto foi preso no início da operação, deflagrada em 12 de agosto, e acabou exonerado. No mesmo dia, o MP também prendeu Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, executivo da Fast Shop. Ambos deixaram a prisão após pagamento de R$ 25 milhões em fiança. Além deles, empresas como Kalunga, Grupo Nós (Oxxo), Allmix Distribuidora e Rede 28 de Postos de Combustíveis também entraram no radar dos investigadores.
Ao longo das apurações, surgiram indícios da participação de pelo menos mais seis servidores da Fazenda, que foram afastados de suas funções no dia 25 de agosto. Eles agora respondem a processos administrativos. O governo paulista também instaurou 20 investigações internas para avaliar evoluções patrimoniais suspeitas de outros integrantes da secretaria.
"Aqui não há espaço para a corrupção, vamos fazer o que precisa ser feito e não vamos tolerar desvio de conduta\
Enquanto endurece o discurso, Tarcísio enfrenta críticas da oposição. O deputado Guilherme Boulos classificou o caso como “um dos maiores escândalos de corrupção da história de São Paulo” e cobrou posicionamento firme do governador: “Até agora, Tarcísio de Freitas não falou nada sobre o assunto. Por que ele não quer se posicionar?”.
As críticas também recaem sobre um decreto editado pelo próprio Tarcísio em julho de 2023, que permitia a chamada “apropriação acelerada” de créditos de ICMS e que, segundo opositores, poderia ter favorecido o esquema. A norma foi revogada logo após a deflagração da Operação Ícaro.
Aliados do governador reconhecem o peso do caso e seus possíveis reflexos eleitorais, mas acreditam que sua postura de enfrentamento ao escândalo pode equilibrar o impacto político, especialmente diante das comparações feitas com a condução do governo federal em casos semelhantes, como o do INSS.
O episódio, que ainda se desdobra nas investigações, já se tornou um dos maiores desafios da gestão paulista e coloca à prova a imagem de Tarcísio de Freitas em um momento em que ele busca consolidar seu nome no cenário nacional.