A pouco menos de uma semana do início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu um esquema especial de segurança considerado inédito. O processo, que também envolve outros sete réus acusados de participação em uma suposta tentativa de golpe de Estado, terá início em 2 de setembro e deve se estender até o dia 12 do mesmo mês.
Foto: STF Entre as medidas em discussão entre o STF e a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal estão as varreduras nas residências dos ministros, o controle rigoroso de acesso à Praça dos Três Poderes e um reforço policial dentro do próprio tribunal. Parte dos agentes permanecerá em regime de plantão integral, dormindo nas dependências da Corte.
Para isso, cerca de 30 policiais vindos de tribunais de diferentes regiões do país foram convocados a reforçar a Polícia Judicial do Supremo. Um dormitório improvisado com beliches foi montado dentro do prédio em Brasília. Esse efetivo deverá atuar durante pelo menos dois meses, com possibilidade de prorrogação.
As grades de proteção também voltaram a cercar o edifício. Elas haviam sido retiradas em fevereiro de 2024, em um ato simbólico conduzido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo ministro Luís Roberto Barroso e pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). No entanto, após a explosão que provocou a morte de Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiu França, em novembro do mesmo ano, a barreira foi reinstalada e não tem prazo para ser removida.
Outro ponto avaliado pela Corte é a presença do próprio Bolsonaro em algumas sessões. Mesmo em prisão domiciliar, o ex-presidente já teria manifestado a aliados interesse em acompanhar parte do julgamento presencialmente, o que exigiria medidas extras de proteção.
A condução do processo ficará sob responsabilidade da Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Cristiano Zanin. As sessões estão marcadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro.