Grupo Gennius, controlador de Habib’s e Ragazzo, entra em recuperação judicial

Empresa declarou dívida de R$ 265,2 milhões e informou que as operações das redes seguem normalmente.

27/08/2026 às 08:19 por Redação Plox

Grupo dono do Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões

O Grupo Gennius, controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi protocolado na segunda-feira (24) e teve o processamento deferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no dia seguinte. A empresa afirma que as operações das redes continuam normalmente.

Habib's entrou com pedido de recuperação judicial •

Habib's entrou com pedido de recuperação judicial •

Foto: Divulgação

A Justiça nomeou a KPMG Corporate Finance como administradora judicial. Do passivo apresentado no processo, cerca de R$ 22,3 milhões correspondem a créditos trabalhistas e aproximadamente R$ 241,7 milhões estão concentrados principalmente entre fornecedores e instituições financeiras sem garantia real. A recuperação alcança empresas operacionais, lojas próprias, franqueadoras e holdings do conglomerado. As unidades franqueadas com CNPJ independente não integram necessariamente o processo.

Grupo atribui crise a juros, pandemia e mudanças no consumo

No processo, o Gennius atribuiu as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores, entre eles os efeitos da pandemia, mudanças nos hábitos dos consumidores, avanço das plataformas de delivery e aumento do custo das dívidas. Em nota, o grupo afirmou que a recuperação judicial busca preservar a sustentabilidade dos negócios no longo prazo.

O peso dos juros permanece relevante para empresas endividadas. Em agosto, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano, depois de a taxa ter permanecido em 15% durante parte de 2025 e no início de 2026. Mesmo com o início do ciclo de cortes, o custo do crédito continua elevado.

Recuperações judiciais seguem em nível elevado no país

Dados da RGF mostram que o cenário de reestruturações empresariais continua pressionado. A consultoria revisou neste mês sua série após um reprocessamento da base da Receita Federal e passou a apontar 5.535 empresas em recuperação judicial no recorte principal em 30 de junho de 2026. Em uma base mais ampla, que considera todos os CNPJs-matriz com marca de recuperação judicial, o estoque chegava a 7.980 empresas. A RGF registrou ainda 419 novas entradas em recuperação no segundo trimestre, com destaque para o agronegócio, comércio e indústria.

A recuperação judicial não significa, por si só, falência. O procedimento dá à empresa a possibilidade de apresentar um plano para reorganizar dívidas e tentar preservar suas atividades. No caso do Grupo Gennius, a companhia terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação, enquanto os credores poderão questionar valores e habilitar créditos. A Justiça também manteve recebíveis bancários dados em garantia e determinou a suspensão de determinadas ações e execuções contra as empresas abrangidas pelo processo.

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