Sargento é preso após morte da conselheira tutelar trans Maryna Colucci em Jacuí, MG

Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e ocultação de cadáver; militar alegou legítima defesa, versão ainda sob apuração.

27/08/2026 às 12:26 por Redação Plox

A Polícia Civil investiga como feminicídio e ocultação de cadáver a morte da conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, de 34 anos, encontrada em uma área rural de Jacuí, no Sul de Minas. Ela havia desaparecido na tarde de sexta-feira (21) e foi localizada na terça-feira (25), após um sargento da Polícia Militar, de 43 anos, indicar aos investigadores onde o corpo havia sido enterrado.


ASSISTA A TRANSMISSÃO AO VIVO DIRETO DOS ESTÚDIOS PLOX.

Vídeo: Plox Brasil

O policial admitiu ter feito os disparos, mas declarou que agiu em legítima defesa. A apuração inicial, no entanto, ainda não encontrou elementos que confirmem essa versão. Maryna foi atingida por seis tiros na cabeça antes de ser sepultada em uma cova na zona rural.

Prisão e versão contestada

Na quarta-feira (26), a Justiça determinou a prisão preventiva do militar, que permanece à disposição das autoridades. A decisão também considerou a forma como a vítima foi atingida: segundo o registro judicial, os disparos tiveram o rosto de Maryna como alvo, circunstância avaliada como um indicativo de que ela não teria condições de se defender.

A alegação do suspeito será analisada a partir de perícias, depoimentos e demais provas reunidas durante o inquérito. A Polícia Civil ainda busca esclarecer toda a dinâmica do crime.

Relato sob análise técnica

Em depoimento, o sargento sustentou que Maryna o teria atacado com uma faca durante um encontro na área rural. Uma arma branca foi recolhida nas diligências, mas, conforme o delegado Marcos Pimenta, do 18º Departamento de Polícia Civil, em Poços de Caldas, o objeto e as circunstâncias verificadas até agora não se mostram compatíveis com o relato do investigado.

Os policiais também não encontraram lesões no militar que, até o momento, sustentassem a hipótese de uma agressão capaz de justificar os tiros. Por isso, a tese de legítima defesa segue sob contestação na investigação.

Relação e buscas complementares

Materiais examinados pela Polícia Civil, entre eles mensagens, indicam que Maryna e o policial mantinham contatos de caráter afetivo. As conversas apontam comunicação entre os dois inclusive na manhã do desaparecimento da conselheira.

O sargento disse que procurou Maryna porque teria sido ameaçado de ter o relacionamento exposto à esposa e a outras pessoas. Essa informação, porém, corresponde à versão do investigado e não foi confirmada como fato pela Polícia Civil, que ainda trabalha para definir a motivação do crime.

Outra linha de apuração procura determinar se o policial contou com ajuda para levar e enterrar o corpo. A vítima foi achada em uma cova com profundidade estimada entre 1,5 e 2 metros. As diligências e os exames periciais continuam para verificar eventual participação de outras pessoas e confrontar o relato apresentado pelo sargento.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a