Resistência a pressões: Pacheco mantém neutro frente a operações da PF no Congresso

Em meio a críticas e cobranças, presidente do Congresso não interfere em ações policiais autorizadas pelo STF, apesar de pressões da oposição

Por Plox

28/01/2024 10h07 - Atualizado há 6 meses

O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), permanece firme em sua decisão de não intervir nas operações da Polícia Federal (PF) no Parlamento, mesmo diante das crescentes pressões da oposição, liderada pelo Partido Liberal. Esta posição se mantém igualmente em relação às ações autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A informação vem de fontes próximas ao senador, indicando uma postura de não ceder a demandas externas.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil

A pressão sobre Pacheco intensificou-se, especialmente após a operação da PF no gabinete do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), líder da oposição na Câmara, no dia 18 de janeiro. Essa operação, denominada Lesa Pátria, investiga os eventos de 8 de janeiro de 2023, que incluíram atos de vandalismo contra os edifícios dos Três Poderes em Brasília. Membros da oposição acusam o Executivo e o Judiciário de perseguição política.

Além disso, a recente operação que visou os endereços do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ligada a supostas irregularidades na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), reforçou as reclamações da oposição. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, criticou Pacheco por permitir tais operações, classificando sua atitude como "frouxa".

Em resposta, Rodrigo Pacheco rebateu as críticas, acusando Valdemar de não apoiar suficientemente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca limitar os poderes dos ministros do STF. Pacheco liderou essa proposta, que já foi aprovada no Senado, mas ainda não tem previsão de votação na Câmara.

Segundo interlocutores de Pacheco, ele já enfrentou desafios com o STF, principalmente relacionados a projetos polêmicos como mudanças na Lei de Drogas. Eles afirmam que Pacheco não é conivente com abusos ou interferências entre os Poderes da República. "Pacheco não se abala nem cede à pressão", garantem suas fontes. "Se houver abusos, ele será o primeiro a se posicionar e estabelecer limites", acrescenta outra pessoa próxima ao senador.

A oposição, insatisfeita com as operações voltadas a políticos aliados de Bolsonaro, intensificou sua ofensiva na última quarta-feira (24), quando um grupo de senadores visitou o Palácio do STF. Eles solicitaram ao presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, a remoção de Alexandre de Moraes da relatoria dos casos relacionados ao 8 de janeiro e a conclusão dos inquéritos sobre as invasões aos prédios dos Três Poderes.

No âmbito da Câmara dos Deputados, o presidente Arthur Lira (PP-AL) tem se mantido distante das discussões públicas. Nos bastidores, comenta-se que Lira tem deixado a responsabilidade dessas questões a cargo de Pacheco, buscando uma pacificação com o Supremo. A decisão de não avançar com a PEC do STF mantém Lira fora do foco dos ministros, especialmente após o arquivamento, pelo ministro Gilmar Mendes, de um caso contra ele por falta de evidências conclusivas. Por enquanto, Lira opta por não se posicionar publicamente.

 

 


 

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