Caso Cão Orelha: o que se sabe sobre a agressão ao animal em Florianópolis
Orelha morreu após agressão na Praia Brava e eutanásia por gravidade dos ferimentos; três adultos são indiciados por coagir vigilante em caso que também investiga tentativa de afogamento de outro cão
28/01/2026 às 06:24por Redação Plox
28/01/2026 às 06:24
— por Redação Plox
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O cão comunitário Orelha morreu após ser agredido na Praia Brava, uma das regiões mais nobres de Florianópolis. Quatro adolescentes foram identificados como suspeitos pelo crime de maus-tratos.
Orelha era um dos cães que se tornaram mascotes da região da Praia Brava, em Florianópolis
Foto: Reprodução/Redes sociais
Além deles, três adultos, pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados por suspeita de coação a uma testemunha durante a investigação. A morte do animal gerou forte repercussão: celebridades, moradores e protetores da causa animal passaram a cobrar providências das autoridades e pedem que o caso não seja esquecido.
Como aconteceu a agressão contra o cão Orelha
De acordo com a Polícia Civil, Orelha foi agredido em 4 de janeiro, na Praia Brava. Ele foi encontrado ferido e agonizando por pessoas que estavam no local e levado a uma clínica veterinária. No dia 5 de janeiro, o animal foi submetido à eutanásia por causa da gravidade dos ferimentos.
Exames periciais apontaram que o cão sofreu um golpe na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina. O instrumento usado na agressão não foi localizado.
Quem são os suspeitos pelos maus-tratos
Quatro adolescentes foram identificados como suspeitos de cometer o crime de maus-tratos contra o cão. Os nomes e idades não foram divulgados, em respeito ao que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Dois deles permanecem em Florianópolis e foram alvo de uma operação policial na segunda-feira (26). Os outros dois estão nos Estados Unidos, em uma viagem pré-programada.
Imagens e análise de câmeras de segurança
Segundo a Polícia Civil, não há registro do momento exato da agressão. A identificação dos suspeitos ocorreu a partir da análise de outras imagens gravadas na região no mesmo período, somadas a depoimentos de testemunhas.
A corporação informou que avalia mais de mil horas de gravações de câmeras de segurança para elucidar o caso.
Suspeita de outros maus-tratos na mesma praia
A investigação também apura uma tentativa de afogamento de outro cão comunitário, chamado Caramelo, na Praia Brava.
Imagens mostram adolescentes pegando o animal no colo, e testemunhas relataram ter visto o grupo jogando o cachorro no mar. A conduta reforça a suspeita de reincidência em maus-tratos na região.
Indiciamento de três adultos por coação
Três adultos, dois pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados sob suspeita de coagir uma testemunha durante a apuração do caso.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima da coação é o vigilante de um condomínio que teria uma foto considerada importante para o esclarecimento do crime. Por segurança, ele foi afastado do trabalho.
O que é o crime de coação
Coação é o ato de ameaçar ou constranger pessoas envolvidas em um processo judicial — como testemunhas, vítimas ou réus — com o objetivo de interferir no andamento da investigação ou influenciar o resultado do processo.
Esse tipo de conduta atinge diretamente a independência e a segurança de quem presta depoimento às autoridades.
Depoimentos colhidos pela Polícia Civil
Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira (27), a Polícia Civil informou que, apenas no inquérito que apura o crime de coação, 22 pessoas foram ouvidas.
A Justiça não autorizou a apreensão de aparelhos eletrônicos dos adultos investigados nessa frente de apuração.
Como foi estruturada a investigação
A apuração seguiu duas linhas distintas:
1. Auto de apuração de ato infracional, conduzido pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), responsável por investigar a conduta dos adolescentes.
2. Inquérito policial, sob responsabilidade da Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA), que apurou a suposta coação praticada por familiares. Esse procedimento foi concluído na noite de segunda-feira (26).
Quem era o cão comunitário Orelha
Orelha era um cão comunitário da Praia Brava e vivia em uma das casinhas mantidas para animais que se tornaram mascotes da região.
Ele era cuidado por moradores e comerciantes locais e conhecido por ser dócil, brincalhão e muito querido por quem frequentava a praia, incluindo turistas. A morte de Orelha mobilizou a comunidade e reforçou o debate sobre proteção animal em áreas urbanas.