Síndico matou corretora no subsolo e evitou câmeras ao usar escadas, diz polícia

Corpo de Daiane Alves Souza, 43, foi localizado em área de mata em Ipameri (GO) após mais de 40 dias de buscas; síndico do prédio confessou o crime e indicou o local, e filho dele é investigado por ocultação de provas

28/01/2026 às 13:27 por Redação Plox

O síndico do prédio onde morava a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, matou a vítima no subsolo do condomínio e usou as escadas para evitar ser filmado, segundo a Polícia Civil. Cléber Rosa de Oliveira foi preso temporariamente na madrugada desta quarta-feira (28), junto com o filho, Maykon Douglas de Oliveira, suspeito de ajudar na ocultação de provas.


Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro

Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro

Foto: Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes

O corpo de Daiane foi encontrado em uma área de mata após mais de 40 dias de buscas. Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Civil de Goiás (PC-GO) fez uma coletiva de imprensa para detalhar o caso e os passos da investigação.

Prisão do síndico e participação de familiares

De acordo com o delegado André Barbosa, Cléber Rosa de Oliveira foi preso sob suspeita de homicídio. Já Maykon é investigado por supostamente ter auxiliado o pai e por atrapalhar o andamento das apurações. O porteiro do prédio também foi levado à delegacia para prestar depoimento, mas o nome dele não foi divulgado.

Segundo a investigação, Cléber interceptou Daiane no subsolo do prédio, para onde ela havia descido para verificar uma queda de energia em seu apartamento. O delegado informou que o síndico relatou ter tido um atrito com a corretora no momento em que o crime aconteceu.

Os detalhes de como Daiane foi morta ainda não foram esclarecidos. Quando questionado sobre a dinâmica do crime, o investigado permaneceu em silêncio.

A polícia afirma que o local onde ficam os disjuntores de energia é um ponto cego das câmeras de segurança do condomínio. Imagens obtidas mostram o carro de Cléber saindo com a capota fechada e retornando cerca de 40 minutos depois, dessa vez com a capota aberta.

Corpo achado em mata após confissão

O corpo de Daiane foi encontrado nesta quarta-feira (28), após as prisões. Segundo apuração da TV Anhanguera, Cléber confessou o crime e indicou onde havia deixado o corpo, em uma área de mata em Ipameri, a cerca de 15 km de Caldas Novas.


O corpo de Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi encontrado em área de mata em Caldas Novas, Goiás

O corpo de Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi encontrado em área de mata em Caldas Novas, Goiás

Foto: Arquivo pessoal/Georgiana dos Passos

Informações da repórter Ludmilla Rodrigues apontam que o corpo estava em avançado estado de decomposição. A mesma apuração indica que o síndico relatou ter discutido de forma acalorada com a corretora e disse ter agido sozinho.

Ele não revelou a motivação do crime. No entanto, a polícia trabalha com a suspeita de que conflitos comerciais tenham levado ao assassinato.

Na coletiva, investigadores explicaram que os apartamentos do prédio eram administrados por Cléber, mas a família decidiu transferir o controle para Daiane, o que passou a gerar desentendimentos entre os dois.

De acordo com apuração do g1 Triângulo e Alto Paranaíba, o corpo da corretora será sepultado em Uberlândia, cidade natal de Daiane.

Desaparecimento e últimas imagens da corretora

Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025. Naquela noite, ela enviou um vídeo a uma amiga mostrando que a energia de seu apartamento havia sido cortada.

Nas imagens, a corretora aparece no hall do andar em que morava, mostrando que apenas o seu apartamento estava sem luz. Em seguida, entra no elevador e diz que desceria até o subsolo para descobrir o que havia acontecido.

Ela encontra um morador no elevador e os dois descem juntos até a portaria, às 18h57. Minutos depois, as câmeras registram Daiane entrando novamente no elevador e saindo às 19h. A partir do momento em que desembarca no subsolo, não há mais registros dela.

Era normal aqui a gente passar por esse tipo de problema [falta de energia], então a gente já se prevenia gravando o que estivesse acontecendo Nilse Alves, mãe de Daiane

Perícia em câmeras e coleta de provas

No início das investigações, a família ainda não sabia se havia imagens do subsolo do prédio. Na última semana, a Polícia Civil apreendeu o gravador responsável pelo armazenamento das câmeras de segurança para passar por perícia, com o objetivo de verificar se houve algum tipo de adulteração e se registros importantes foram apagados.

Além do gravador das câmeras, a polícia também recolheu objetos pessoais que estavam no apartamento da corretora.


Corretora de imóveis Daiane Alves desaparecida em Caldas Novas no prédio em mora.

Corretora de imóveis Daiane Alves desaparecida em Caldas Novas no prédio em mora.

Foto: Arquivo Pessoa/Fernanda Alves e Reprodução TV Anhanguera

Histórico de conflitos e denúncia por perseguição

Ao todo, há 12 processos envolvendo Daiane e Cléber. Após o início das investigações sobre o desaparecimento, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) denunciou o síndico pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, conforme informado pelo advogado da família.

Segundo a denúncia, Cléber teria usado a posição de síndico para criar obstáculos à rotina da corretora, passando a vigiá-la por meio das câmeras do condomínio e submetendo-a a constrangimentos constantes.

O Ministério Público também aponta que ele monitorava toda a movimentação de Daiane e de hóspedes pelas câmeras e enviava essas imagens à própria irmã.

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