Dólar abre em queda na primeira Superquarta de 2026, com foco em juros no Brasil e nos EUA

Moeda americana inicia o dia cotada a R$ 5,1944 em sessão marcada por decisões do Copom e do Federal Reserve, apostas em cortes na Selic ainda no primeiro trimestre e cenário geopolítico mais tenso

28/01/2026 às 09:10 por Redação Plox

O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (28) em queda, recuando 0,22% na abertura, negociado a R$ 5,1944. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, passa a operar a partir das 10h.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: FreePik

Superquarta concentra decisões de juros no Brasil e nos EUA

A primeira Superquarta de 2026 concentra a atenção dos investidores, que acompanham simultaneamente as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. A expectativa majoritária é de manutenção das taxas básicas nas duas economias, com foco nas sinalizações sobre os próximos passos de política monetária.

Nos EUA, a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ocorre em meio à pressão política do presidente Donald Trump por cortes mais agressivos nos juros. O consenso do mercado aponta para a manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75%, com atenção redobrada ao comunicado e às projeções de longo prazo.

As declarações do presidente do Fed, Jerome Powell, também estarão no radar, já que esta será sua primeira entrevista coletiva desde a revelação de uma investigação criminal movida pelo governo Trump.

No Brasil, a expectativa predominante é de manutenção da Selic em 15%, mas o mercado deve escrutinar o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) em busca de sinais sobre o início do ciclo de cortes. Parte dos analistas já enxerga espaço para indicações mais claras mirando março.

Na véspera, o dólar encerrou a terça-feira (27) em queda de 1,41%, cotado a R$ 5,2056, no menor nível desde maio de 2024. O movimento veio após a divulgação do IPCA-15 de janeiro, que avançou 0,20%, ligeiramente abaixo da projeção de 0,22%.

Desempenho do dólar e do Ibovespa

No câmbio, o dólar acumula os seguintes resultados:

Acumulado da semana: -1,41%;
Acumulado do mês: -5,16%;
Acumulado do ano: -5,16%.

Na renda variável, o Ibovespa registra:

Acumulado da semana: +1,71%;
Acumulado do mês: +12,91%;
Acumulado do ano: +12,91%.

IPCA-15 abaixo das projeções anima mercado

A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, subiu 0,20% em janeiro, segundo o IBGE, um pouco abaixo da estimativa do mercado, que apontava alta de 0,22%. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,50%.

Os maiores aumentos vieram de saúde e cuidados pessoais — com destaque para planos de saúde e produtos de higiene — e de comunicação, especialmente aparelhos celulares.

A alimentação voltou a subir, pressionada por itens como tomate, batata, frutas e carnes. Já produtos como leite, arroz e café ficaram mais baratos.

Na direção oposta, os preços de transportes recuaram, principalmente por causa da queda nas passagens aéreas e de medidas como tarifa zero em algumas cidades.

Mercado aposta em início de cortes na Selic em 2026

A divulgação do IPCA-15 ocorre em meio à expectativa pela primeira decisão de juros do ano. A projeção predominante é de que o Copom mantenha a Selic inalterada nesta semana, mas prepare o terreno para iniciar o ciclo de cortes ainda no primeiro trimestre de 2026.

De acordo com o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (26), economistas de instituições financeiras projetam que a taxa básica encerre 2026 em 12,25% ao ano — uma queda de 2,75 pontos percentuais em relação ao nível atual, de 15% ao ano. A pesquisa é feita semanalmente com mais de 100 instituições.

A decisão do Copom acontece no mesmo dia em que os dirigentes do Fed também se reúnem para definir os juros nos EUA, reforçando o peso da Superquarta no cenário global. Para a economia americana, a expectativa também é de manutenção das taxas.

A principal preocupação dos investidores, porém, recai sobre a sequência de embates entre o governo Donald Trump e o Fed. Em declarações recentes, o presidente americano voltou a atacar Jerome Powell, ao ameaçar indiciá-lo por falas ao Congresso relacionadas a um projeto de reforma de um edifício.

Trump também tem reiterado que pretende indicar em breve um novo nome para a presidência do Fed — movimento que aumenta a cautela no mercado, diante do risco de um indicado mais suscetível à pressão política e disposto a reduzir juros de forma mais acelerada, o que poderia afetar a percepção de independência do banco central.

O mandato de Powell termina em maio.

Escalada tarifária e reconfiguração de alianças comerciais

No campo geopolítico, as tensões seguem em alta. Nesta segunda-feira, Trump decidiu elevar de 15% para 25% as tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, como carros, madeira e medicamentos.

Segundo o governo americano, a medida foi tomada porque o Parlamento sul-coreano não teria cumprido um acordo comercial firmado no ano anterior. A Coreia do Sul afirmou que tentará negociar.

Ao mesmo tempo, a China anunciou que pretende se aproximar ainda mais da Rússia, ampliando a cooperação bilateral para enfrentar riscos externos, sobretudo após os EUA divulgarem uma nova estratégia de defesa.

Também entrou no radar dos investidores o novo pacto comercial entre a Europa e a Índia, firmado nesta terça-feira (27). O acordo reduz tarifas em diversos setores e deve impulsionar o fluxo de comércio entre as duas regiões.

A União Europeia espera economizar até 4 bilhões de euros por ano com a redução das taxas indianas, enquanto a Índia mira o aumento das exportações de têxteis, joias e produtos de couro.

Entre os principais cortes estão os impostos sobre carros europeus — de 110% para 10% —, sobre vinho, de 150% para 20%, e sobre produtos como massas e chocolate, que passarão a ter tarifas zeradas.

O tratado também prevê cooperação em tecnologia, investimentos, circulação de trabalhadores, educação, segurança e defesa. Em um cenário global instável, UE e Índia buscam se fortalecer economicamente e reduzir a dependência de grandes potências como China, Rússia e Estados Unidos.

Bolsas globais refletem expectativa por juros e geopolítica

Em Wall Street, os principais índices fecharam sem direção única nesta terça-feira, em clima de espera pela decisão de juros do Fed. O S&P 500 avançou 0,42%, enquanto o Nasdaq Composite subiu 0,91%. Já o Dow Jones recuou 0,83%.

Na Europa, a maioria das bolsas encerrou em alta, apoiada em um noticiário corporativo considerado positivo. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,6% e atingiu o maior nível em uma semana. Em Londres, o FTSE 100 teve alta de 0,58%, enquanto o CAC 40, em Paris, avançou 0,27%. Na Alemanha, o DAX caiu 0,15% na sessão.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, embaladas por sinais de melhora nos lucros de empresas chinesas e pelo bom desempenho recente dos mercados americanos.

Na China, o índice de Xangai subiu 0,18%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores companhias do país, ficou praticamente estável, com leve queda de 0,03%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,35%, puxado sobretudo por ações de tecnologia.

Outros mercados asiáticos acompanharam o movimento positivo. Em Tóquio, o Nikkei ganhou 0,85%. Na Coreia do Sul, o Kospi teve forte alta de 2,73%. Em Taiwan, o Taiex avançou 0,79%. Em Cingapura, o Straits Times subiu 1,28%, e, na Austrália, o S&P/ASX 200 registrou alta de 0,92%.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a