Aluno denuncia ensino de protocolo incorreto em faculdade de medicina reprovada no Enamed

Avaliação nacional mostra que quase 13 mil formandos não atingiram o mínimo de 60% de acertos; MEC avalia restringir vagas e CFM defende exame obrigatório para registro profissional

28/01/2026 às 15:25 por Redação Plox

Alunos de faculdades que tiraram notas 1 e 2 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) relataram ao Fantástico experiências de ensino falho e preocupação com o futuro profissional. A prova, aplicada a mais de 39 mil estudantes do último ano de medicina, mostrou que mais de 30% dos cursos avaliados foram reprovados, e quase 13 mil alunos não alcançaram o mínimo de 60% de acertos exigidos.


Aluno relata que professora ensinou protocolo incorreto em faculdade reprovada no Enamed

Aluno relata que professora ensinou protocolo incorreto em faculdade reprovada no Enamed

Foto: TV Globo/Reprodução

Um estudante de uma universidade reprovada no Rio de Janeiro, que pediu anonimato por medo de retaliações, contou um episódio que gerou revolta entre a turma: em uma aula de patologia, a professora errou a prescrição de um medicamento ao explicar um protocolo.

Questionado sobre a gravidade da situação, o aluno relatou que os colegas reagiram com indignação ao perceberem a falha. Para eles, erros em protocolos médicos na formação colocam em risco não apenas o aprendizado, mas também a segurança de futuros pacientes, já que a prática profissional lida diretamente com vidas e responsabilidades legais.

Pressão sobre cursos com pior desempenho

De acordo com o Ministério da Educação, as instituições que obtiveram as menores notas no Enamed poderão ser alvo de uma série de medidas de controle e correção. Entre as possíveis consequências estão a proibição de abertura de novas vagas, a redução de vagas já existentes e a abertura de processos administrativos voltados a corrigir falhas estruturais e pedagógicas nos cursos.

As discussões sobre a qualidade da formação médica se conectam também a outras iniciativas em análise no país. O Conselho Federal de Medicina (CFM) defende a aprovação do Profmed, um exame obrigatório para obtenção do registro profissional após a formatura, proposta que deve avançar no Senado.

É muito preocupante estarmos formando um percentual significativo de profissionais que estarão atendendo a população com lacunas graves de conhecimento – presidente do CFM

Desigualdade na formação e impacto na carreira

Entre os estudantes entrevistados, é consenso que as falhas no ensino vão muito além do desempenho em um exame. Para eles, a qualidade da formação influencia diretamente as oportunidades profissionais, a confiança na atuação futura e a forma como serão vistos no mercado de trabalho.

Um dos alunos ouvidos destacou que a reputação da faculdade pesa na trajetória de quem está começando na área médica e que a avaliação negativa de um curso pode marcar o currículo de toda uma turma. Para esses estudantes, poder falar com orgulho da instituição de origem é um diferencial importante na construção da carreira e na relação com pacientes e empregadores.

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