PF investiga suposto pagamento a influenciadores para atacar Banco Central após liquidação do Banco Master

Inquérito autorizado por Dias Toffoli no STF apura possível financiamento e atuação coordenada de influenciadores para criticar decisão do BC e defender interesses ligados ao Banco Master, alvo de apurações por fraudes financeiras

28/01/2026 às 16:26 por Redação Plox

A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido pagos para atacar o Banco Central (BC) após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro do ano passado.

Banco Central (foto) decidiu fechar o Banco Master após identificar problemas graves na instituição

Banco Central (foto) decidiu fechar o Banco Master após identificar problemas graves na instituição

Foto: Agência Brasil/EBC


A investigação foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e tem como foco a possível existência de financiamento e de uma atuação coordenada para difundir críticas ao Banco Central e defender interesses associados ao Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, alvo de apurações por fraudes financeiras.

Como funciona a liquidação de um banco

Na prática, liquidar um banco significa fechá-lo de forma controlada por decisão do Banco Central quando a instituição não tem mais condições de operar com segurança. Nesse processo, as atividades são interrompidas e os bens passam a ser administrados para pagamento de dívidas, com o objetivo de proteger clientes, reduzir prejuízos e preservar a estabilidade do sistema financeiro.

Relatos de ofertas a influenciadores

De acordo com informações já colhidas pela PF, produtores de conteúdo teriam sido procurados para divulgar vídeos e publicações sustentando a tese de que a liquidação do Banco Master foi “precipitada”. Segundo os depoimentos, a intenção seria colocar em dúvida a atuação do Banco Central e reforçar a posição pública da instituição financeira e de seus controladores.

O caso ganhou repercussão após os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, identificados com a direita, relatarem que receberam propostas para publicar conteúdos críticos à decisão do BC em suas redes sociais. Eles afirmam ter recusado a oferta e divulgaram mensagens trocadas com intermediários.

Publicações de teor semelhante, feitas por outros influenciadores no mesmo período, também entraram na mira da investigação. No conjunto, esses perfis reúnem mais de 36 milhões de seguidores apenas no Instagram. A PF investiga se houve pagamento, quem teria financiado a estratégia e se as ações foram articuladas de forma conjunta.

Decisão do BC e outras instituições do grupo

A liquidação do Banco Master foi determinada pelo Banco Central após uma operação da própria PF contra Daniel Vorcaro e outros integrantes da diretoria da instituição, suspeitos de participação em fraudes financeiras. Na sequência, o BC também ordenou a liquidação de outras empresas ligadas ao mesmo grupo, como a Reag e o Will Bank.

À época, o Banco Central informou que as medidas tinham como objetivo proteger o sistema financeiro e os depositantes, com base em indícios de irregularidades graves. Agora, a investigação da PF busca esclarecer se, após essas decisões, houve tentativa de manipular o debate público por meio do uso remunerado de influenciadores digitais para atacar a autoridade monetária e defender o banco liquidado.

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