Grupo encontra sucuri durante passeio em cachoeira no Amazonas

Turistas registraram em vídeo o guia de ecoturismo levando a cobra para perto do grupo na cachoeira da Neblina, em Presidente Figueiredo (AM); Ibama avalia que houve apenas manuseio temporário, enquanto biólogo alerta para risco de hiperestresse e defende protocolos de observação passiva

28/01/2026 às 07:52 por Redação Plox

Um vídeo que circula nas redes sociais registra o momento em que um grupo de turistas se surpreende ao encontrar uma sucuri durante um passeio na cachoeira da Neblina, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas. As imagens mostram a cobra primeiro nas águas da cachoeira e, em seguida, já fora d’água, entre as raízes de uma árvore.


Cobra foi devolvida à natureza por guia de turismo.

Cobra foi devolvida à natureza por guia de turismo.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

No registro, o guia de ecoturismo Mário Sérgio aparece manuseando o animal e o levando para perto dos turistas. Uma das pessoas do grupo chega a tocar na sucuri enquanto os demais observam a cena.

Ao portal g1, o guia afirmou que interveio para retirar a cobra de uma área com grande circulação de pessoas. Segundo ele, o animal estava sendo cercado e perturbado por visitantes, o que poderia representar risco tanto para a sucuri quanto para os turistas.

De acordo com o guia, a cobra foi levada para um ponto mais abaixo da cachoeira, que ele considera mais seguro e com menor fluxo de pessoas. Mário Sérgio relatou ainda atuar há 18 anos com ecoturismo e possuir experiência no manejo de animais silvestres.

Eu acabei realocando ela pra outro local, porque muita gente acaba falando besteira, dizendo que tá maltratando, dizendo que tá matando. A cachoeira é habitat de cobra, e eu simplesmente só tirei ela dali do caminho, porque tinha muita gente perturbando ela. Eu cheguei lá, já tinha um monte de gente em cima. Eu simplesmente peguei e tirei. Na hora que eu tirei, veio muita gente pra cima e eu levei ela mais pra baixo da cachoeira. Foi um local onde ninguém vai, um local mais seguro Mário Sérgio

O episódio expôs a tensão entre o interesse turístico e a preservação da fauna em uma área de grande visitação no interior do Amazonas.

Avaliação inicial do Ibama sobre o caso

Segundo o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amazonas, Joel Araújo, uma análise preliminar do vídeo indica que, em princípio, o episódio não configura crime ambiental.

Aparentemente houve um manuseio temporário do animal para garantir a segurança das pessoas e, em seguida, a devolução do animal à natureza. Nesse contexto, não há, em princípio, caracterização de crime ou infração ambiental Joel Araújo, superintendente do Ibama no Amazonas

O superintendente ressaltou que o manuseio de animais silvestres deve ser realizado apenas por pessoas capacitadas e autorizadas e que uma conclusão definitiva depende de uma apuração mais detalhada do caso. Ele também destacou que a simples aparição de animais silvestres em vídeos não caracteriza, por si só, crime ambiental.

Risco de estresse e conduta em áreas turísticas

Para o biólogo Ildean Fernandes, o episódio reforça a importância de ações permanentes de educação ambiental em áreas turísticas. Segundo ele, a sucuri não é, em geral, um animal agressivo, mas pode reagir de forma defensiva quando se sente acuada ou perturbada.

Em situações de interação forçada, o especialista alerta que o animal entra em estado de hiperestresse, o que torna seu comportamento altamente imprevisível e aumenta o risco de incidentes.

Quando é retirada à força do ambiente, contida ou exibida para fotos, ocorre a ativação imediata da resposta ao estresse, levando à liberação de hormônios como corticosterona. Esse processo reduz a capacidade de avaliação do risco e pode desencadear reações defensivas extremas, como mordidas repetidas, movimentos bruscos e tentativas de constrição Ildean Fernandes, biólogo

O biólogo defende que áreas de visitação adotem protocolos claros de conduta, priorizando a observação passiva da fauna e evitando o manuseio de animais silvestres.

Em caso de avistamento de animais, a orientação é manter distância, evitar barulho e, se necessário, buscar rotas alternativas, reduzindo o estresse da fauna e o risco para os visitantes.

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