Base do governo Lula apresenta relatório alternativo da CPMI do INSS e mira Bolsonaro e Flávio
Texto entregue em 27/3 associa Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro ao Banco Master, citado em suspeitas de descontos indevidos e supostas fraudes bilionárias
BRASÍLIA — No relatório final alternativo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca associar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, ao Banco Master.
O documento foi apresentado nesta sexta-feira (27/3), em coletiva à imprensa, enquanto o relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) ainda fazia a leitura de seu relatório em uma sessão iniciada às 11h. Bolsonaro e o filho estão entre os 130 alvos de pedidos de indiciamento do texto alternativo.
Pimenta chegou a usar o termo "bolsomaster" para associar Bolsonaro às fraudes do Banco Master
Foto: Andressa Anholete/STF
Banco Master e suspeitas envolvendo consignados
O ex-presidente do Banco Master Daniel Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel, também aparecem entre os alvos de pedidos de indiciamento. O Master era uma das instituições autorizadas a oferecer empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do INSS e é suspeito de descontar, sem autorização, parcelas de consignados em 250 mil contratos.
Segundo o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), as supostas fraudes de R$ 12,2 bilhões em títulos de créditos fictícios do Master teriam relação com o caso investigado pela CPMI. Ele chegou a usar o termo “bolsomaster” para fazer essa associação.
Há uma conexão direta entre o escândalo do INSS e o esquema ‘bolsomaster’Paulo Pimenta (PT-RS)
Doações, acusações e pedidos de indiciamento
Pimenta insinuou que doações feitas por Zettel às campanhas de Bolsonaro e do governador de São Paulo e então candidato, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em 2022, teriam origem em desvios ligados ao INSS. Ele também acusou o ex-ministro da Previdência de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (PL-RS), de receber valores desviados para financiar a campanha ao governo do Rio Grande do Sul em 2022.
O deputado ainda afirmou que o Master teve autorização para operar quando o presidente do Banco Central (Bacen) era Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, e apontou que a Diretoria de Benefícios do INSS teria participado de movimentos que permitiram que o banco deixasse de ser Banco Máxima e passasse a se chamar Master.
De acordo com Pimenta, o relatório alternativo pede o indiciamento de Bolsonaro como líder de uma organização criminosa relacionada a descontos em aposentadorias e pensões, com pedidos por organização criminosa, improbidade administrativa e furto qualificado de idosos.
Resposta de Flávio e disputa com relatório de Alfredo Gaspar
Em nota, Flávio Bolsonaro classificou o pedido de indiciamento como uma “tentativa desesperada” de proteger Lula e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Ele afirmou que ambos teriam responsabilidade direta no caso e acusou o presidente de ter tentado encerrar as investigações da CPMI.
A apresentação do relatório alternativo ocorreu após Alfredo Gaspar pedir o indiciamento de Lulinha por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência. Segundo o texto, Lulinha é suspeito de receber R$ 300 mil mensais de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O que acontece se o relatório principal cair
O relatório alternativo só será levado à votação na CPMI do INSS se o relatório de Gaspar for rejeitado. Pelo regimento interno do Congresso Nacional, nessa hipótese caberá ao presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), indicar um novo relator — da base do governo Lula — para apresentar outra conclusão para os trabalhos.
Viana evitou antecipar se faria essa indicação caso o relatório de Gaspar não prospere e afirmou que vai avaliar a decisão no “momento oportuno”. Ele também disse que tentará buscar um consenso com a base do governo, mas sinalizou que isso não envolveria retirar pedidos de indiciamento, e sim eventual ajuste de redação para viabilizar a votação.
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