Testemunhas de Jeová passam a permitir uso do próprio sangue em cirurgias programadas

Nova diretriz autoriza retirada e armazenamento prévios do sangue do paciente para uso posterior, mantendo a proibição de transfusões de outras pessoas

28/03/2026 às 08:42 por Redação Plox

As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização em suas diretrizes que passa a permitir que fiéis utilizem o próprio sangue em cirurgias programadas, desde que ele seja previamente retirado e armazenado. A mudança, porém, mantém a proibição de transfusões com sangue de outras pessoas.

(Imagem ilustrativa)

(Imagem ilustrativa)

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil


O que muda nas cirurgias programadas

Com a nova regra, abre-se espaço para técnicas médicas em que o paciente doa sangue antes do procedimento e utiliza esse material posteriormente. O uso segue restrito ao sangue do próprio paciente, sem participação de doadores externos.

Doutrina sobre o sangue segue inalterada

Apesar da flexibilização, a crença sobre a santidade do sangue permanece a mesma. Segundo o relato, um porta-voz reforçou à BBC que a base doutrinária do grupo continua inalterada, sustentada em interpretações bíblicas que orientam a abstenção de sangue.

Base bíblica e possíveis consequências internas

A recusa ao uso de sangue é atribuída a textos do Velho e do Novo Testamento que consideram o sangue sagrado e associado à vida, como Gênesis 9:4 e Atos 15:20. De acordo com o texto, a prática voluntária de transfusões externas, sem arrependimento, pode levar à desassociação, o que implica afastamento social dentro do grupo.

Números e decisão do STF sobre recusa de transfusão

O movimento reúne cerca de nove milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil. Em setembro de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que Testemunhas de Jeová têm direito de recusar transfusões e que o SUS deve oferecer alternativas terapêuticas, inclusive fora do local de residência do paciente.

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