PF deflagra operação nacional contra abuso sexual infantil e cumpre 159 mandados
Ação ocorre nesta terça (28) em todos os estados e no DF, com 16 mandados de prisão e foco em identificar e prender suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes.
Um estudo de longo prazo realizado em Querência (MT), em uma das áreas da Amazônia mais afetadas pelo desmatamento nas últimas décadas, acompanhou por 22 anos os efeitos de secas e queimadas sobre trechos de floresta pressionados pela agricultura. Ao fim do período, os pesquisadores descartaram a tese da savanização, defendida por cientistas desde a década de 1990.
Em vez de uma possível substituição da floresta por gramíneas e arbustos — vegetação típica de savanas —, a equipe registrou a retomada das áreas afetadas pelo fogo e pela seca pelas mesmas espécies florestais. O resultado reforça a capacidade de regeneração da floresta, desde que algumas condições sejam atendidas.
Pesquisadores descartaram a tese da savanização, defendida por cientistas desde a década de 1990.
Foto: Reprodução/Metrópoles
O que a gente está mostrando é que a floresta recupera, que ela é altamente resiliente e tem essa capacidade de voltar e de retornar aos espaços altamente degradados
Leandro Maracahipes
Leandro Maracahipes, pesquisador da Universidade de Yale apoiado pelo Instituto Serrapilheira, ressalta que a recuperação depende, прежде de tudo, da interrupção dos incêndios. Outra exigência é manter florestas preservadas nas proximidades, para que haja uma fonte de dispersão capaz de abastecer a regeneração com sementes.
Segundo ele, a presença de vegetação nativa no entorno e de animais que ajudem a dispersar sementes é decisiva para que o processo ocorra com mais facilidade e em menos tempo. Sem essa “matriz” próxima, a recuperação tende a ser mais difícil e lenta.
O estudo começou em 2004, em uma área de 150 hectares, após um levantamento para documentar a vegetação, os animais e os insetos que viviam ali originalmente. O terreno foi dividido em três parcelas de 50 hectares. Duas delas foram submetidas a queimadas: uma a cada três anos e outra anualmente, até 2010. A terceira parcela não foi atingida pelo fogo durante o período analisado.
Logo após os incêndios, a primeira constatação foi o empobrecimento da biodiversidade. A riqueza de espécies caiu 20,3% na área queimada anualmente e 46,2% na parcela queimada a cada três anos.
Em 2012, uma tempestade de vento atingiu o local e causou a mortandade de 5% das árvores. Os pesquisadores chegaram a observar uma área profundamente transformada pelos distúrbios. Com o tempo, porém, a floresta passou a recuperar parte de suas características.
Com a abertura do dossel — cobertura formada pelas copas das árvores —, houve aumento de gramíneas, especialmente na borda da floresta. Mais recentemente, com o fechamento do dossel, a presença de gramíneas ficou em 10% da área, e o ambiente voltou a se parecer mais com um trecho florestal. A recuperação, entretanto, foi mais rápida no interior do que nas bordas.
Apesar do avanço ao longo do tempo, a floresta regenerada ainda não retomou totalmente sua composição anterior. A margem inferior de espécies ficou entre 31,3% e 50,8%, variando conforme o grau de impacto sofrido.
Maracahipes também aponta que a floresta retorna em nova condição, com maior vulnerabilidade. Segundo ele, as espécies dessa nova composição tendem a ter casca fina e baixa densidade de madeira, o que as torna mais suscetíveis e com maior chance de morrer diante de novos distúrbios.
Além dos efeitos do fogo, a floresta em regeneração enfrenta a pressão de secas cada vez mais extremas associadas às mudanças climáticas. Embora as espécies florestais mantenham a capacidade de se hidratar durante o processo de regeneração, os cientistas avaliam que é necessário recuperar mais áreas degradadas para ajudar a manter o acesso à água.
Ao final, o pesquisador destaca uma mudança de perspectiva sobre a região antes conhecida como Arco do Desmatamento, agora chamada de Arco da Restauração, em referência à possibilidade de restaurar a floresta aproveitando sua capacidade de se recuperar.