PF deflagra operação nacional contra abuso sexual infantil e cumpre 159 mandados
Ação ocorre nesta terça (28) em todos os estados e no DF, com 16 mandados de prisão e foco em identificar e prender suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes.
Preso na Operação Compliance Zero, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa sinalizou interesse em colaborar com as investigações. A defesa também pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, para um local que permita conversas sigilosas com advogados.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. No documento, os advogados afirmam que Costa manifestou a intenção de cooperar com as autoridades, “possivelmente por meio de colaboração premiada”.
Advogados afirmam que ex-presidente do BRB quer cooperar com autoridades e cita falta de sigilo na Papuda.
Foto: Reprodução / Agência Brasília.
Segundo a petição, as condições para uma eventual colaboração premiada dependeriam de três pontos: a voluntariedade do investigado, a análise técnica sobre a utilidade das informações e provas e uma decisão esclarecida sobre os termos e riscos do acordo.
A defesa sustenta, porém, que esses requisitos não poderiam ser atendidos enquanto Paulo Henrique Costa estiver detido na Papuda. De acordo com o documento, a estrutura da unidade prisional e a necessidade de garantir o sigilo entre cliente e advogados impedem discussões detalhadas sobre os fatos investigados e o manuseio de possíveis provas.
Com isso, os advogados pedem a transferência para um ambiente em que Costa possa exercer “de forma plena seu direito à autodefesa”, com garantia de confidencialidade nas comunicações com a defesa.
A petição menciona ainda que Paulo Henrique Costa é oficial da reserva das Forças Armadas, com patente de 2º tenente. De acordo com os advogados, essa condição pode assegurar o direito à prisão especial, como a sala de Estado-Maior — onde está o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e onde esteve o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
Paulo Henrique Costa comandou o BRB a partir de 2019, após indicação do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição. Ele foi afastado em novembro, após decisão judicial.
Segundo os autos, Costa defendeu a compra do Master como uma solução para a crise da instituição privada. Ele é formado em administração de empresas, com especializações na área financeira em universidades do exterior, e tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.
Antes de assumir o BRB, era vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal, onde trabalhava desde 2001, até a ida para o banco do DF.
A 4ª fase da operação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas destinadas a agentes públicos. Nesta etapa, os agentes cumprem dois mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, são investigados crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa.
Em nota, o governo do Distrito Federal afirmou que os fatos envolvendo Paulo Henrique Costa são de competência do Judiciário.
A nova gestão à frente do GDF reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes
Governo do DF
O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra do banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação.
A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como alternativa para evitar a quebra da instituição. O Banco Central, no entanto, vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.
Além da tentativa de compra, a Polícia Federal apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.