PF deflagra operação nacional contra abuso sexual infantil e cumpre 159 mandados
Ação ocorre nesta terça (28) em todos os estados e no DF, com 16 mandados de prisão e foco em identificar e prender suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes.
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa manifestou oficialmente, nesta terça-feira (28/4), o desejo de firmar um acordo de delação premiada no âmbito do caso Master.
A defesa do ex-executivo encaminhou ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), um documento relatando o interesse do cliente em colaborar com as autoridades.
Paulo Henrique Costa conduziu a tentativa de compra do Master pelo BRB
Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
O requerente (Costa) sinalizou interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada Advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino
No mesmo pedido, os advogados afirmam que a delação depende da convergência de alguns fatores e solicitam que Costa seja ouvido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), apontando a necessidade de garantir, “de forma plena”, o direito à autodefesa.
A defesa também pede a transferência de Costa do Complexo Penitenciário da Papuda para a Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, alegando que o local seria mais propício para a colaboração.
Costa foi preso em 16 de abril, na fase mais recente da Operação Compliance Zero, que apura uma série de crimes financeiros, incluindo transações do Master com o BRB.
Segundo a investigação, ele é acusado de receber propinas para permitir negócios com o Master que causaram prejuízos bilionários ao banco estatal, hoje em grave crise financeira.
Paulo Henrique Costa comandou o BRB de janeiro de 2019 até novembro de 2025, quando foi afastado por decisão judicial na primeira fase da Compliance Zero. À frente da instituição, ele conduziu a tentativa de compra do Master pelo BRB.
Investigadores esperam que Costa fale sobre o envolvimento de políticos nas negociações para compra de papéis considerados problemáticos do Master e sobre a aquisição de parte do banco de Daniel Vorcaro.
A compra de 58% do Master pelo BRB foi anunciada em 28 de março de 2025. O negócio foi defendido pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que nomeou Costa presidente do BRB.
À época, Ibaneis sustentou que, com os ativos e a clientela do Master, o BRB se tornaria um banco nacional. O Master, por sua vez, tentava vender seus ativos restantes a outras instituições.
O texto aponta que já havia sinais claros de dificuldades financeiras do banco de Vorcaro e fortes suspeitas de fraudes, e que a transação com o BRB marcou o início do escândalo do Master.
O Banco Central (BC) desfez o negócio. Um ano após o anúncio, a operação passou a integrar o conjunto de transações investigadas pela PF envolvendo o Master e seu controlador.
Com o caso já no noticiário, tornou-se público que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38,1 milhões, em maio de 2024, com o Reag, fundo de investimentos do Master investigado pela PF por participação no esquema atribuído ao banco de Vorcaro e por suspeitas que incluem lavagem de dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Costa, Vorcaro e o empresário Fabiano Zettel disputam uma corrida pela homologação de delação premiada. A avaliação é que deve obter benefícios quem entregar mais nomes, provas e novidades à PF sobre as fraudes envolvendo o Master.
A PF já reuniu diversas evidências com a Compliance Zero, deflagrada pela primeira vez em novembro de 2025. Por isso, a investigação busca informações novas, sobretudo sobre crimes que envolvam autoridades.
Fabiano Zettel, descrito como empresário e pastor evangélico e apontado como operador financeiro de Vorcaro, também estuda uma colaboração. Ele é casado com Natália Vorcaro, irmã do dono do Master.
Zettel, Costa e Vorcaro estão presos. A equipe de O TEMPO em Brasília informou ter procurado advogados dos três, mas ninguém se pronunciou. Ainda assim, pessoas ligadas à investigação confirmaram o andamento das conversas sobre delações.
Preso desde 19 de março, Vorcaro foi o primeiro investigado no caso Master a indicar interesse em colaborar com a PF. Já Costa passou a dar sinais mais recentes de que faria o mesmo após trocar advogados.
A expectativa é que Vorcaro apresente a proposta de delação até o fim de semana. Para ter validade, o acordo precisa ser homologado pelo ministro André Mendonça.
O magistrado deve verificar se a colaboração foi voluntária e se cumpre os requisitos legais. Sem validação judicial, os termos não produzem efeitos.
Todo o processo é acompanhado pela PGR, responsável por apresentar eventual denúncia criminal a ser julgada pelo STF. Segundo o texto, Vorcaro já teria assinado um termo de confidencialidade com a PGR e a PF, etapa inicial para viabilizar a negociação.
Depois, o colaborador deve detalhar o funcionamento do esquema investigado, apontar outros envolvidos e apresentar provas. Vorcaro deverá ser ouvido formalmente por delegados da PF e por integrantes da PGR, com depoimentos gravados, documentados e confrontados com evidências já reunidas. A utilidade das informações é descrita como um critério central para manter os benefícios.
Entre as vantagens possíveis de uma delação premiada estão redução de pena, progressão mais rápida de regime e, em situações específicas, perdão judicial. Os benefícios variam conforme a relevância do que for apresentado, o grau de participação nos crimes e a efetividade da colaboração para recuperar recursos ou identificar outros envolvidos.
O acordo também impõe obrigações: o delator deve dizer a verdade, não omitir fatos e entregar elementos verificáveis. Se descumprir os termos ou apresentar informações falsas, pode perder os benefícios e ter a situação agravada no processo.
Nos bastidores do caso Master, a possível colaboração de Vorcaro é vista como peça-chave para aprofundar apurações sobre fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e conexões com agentes públicos e privados. Após a homologação, o conteúdo pode embasar novas fases da investigação, pedidos de busca e apreensão, bloqueios de bens e até novas denúncias. O sigilo inicial pode ser levantado parcialmente conforme o andamento do processo e decisões judiciais.