Compartilhar demais nas redes sociais: riscos e precauções

Especialista em crimes digitais alerta para os perigos da exposição excessiva e psicólogos discutem os impactos na saúde mental

Por Plox

28/05/2024 09h03 - Atualizado há cerca de 2 meses

O hábito de compartilhar detalhes da vida nas redes sociais, como fotos de refeições ou atividades diárias, pode parecer inofensivo, mas na verdade, esconde uma série de riscos. Wanderson Castilho, perito cibernético e físico, destaca que essa prática pode resultar em problemas que vão desde questões de saúde mental até ameaças à integridade física. "Pessoas que se expõem sem ter necessidade podem encontrar grandes problemas, que vão desde questões mentais até perigos para a integridade física”, afirma.

O alcance das redes e os riscos associados

Castilho explica que, mesmo que o hábito de compartilhar informações pessoais não seja novo, o alcance proporcionado pela internet amplifica os riscos. “Antigamente, quando não tínhamos o meio eletrônico, existiam pessoas que falavam muito sobre a vida delas e se prejudicavam por isso; coisas eram usadas contra elas, havia fofoca, mas sempre em um nível pequeno, no círculo de relacionamento do indivíduo. Mas, com a internet, isso é amplificado para o mundo todo, e vão ter acesso não apenas as pessoas que estão ao seu redor, mas também pessoas mal-intencionadas, pedófilos, criminosos e outros”, explica.

Ele também alerta que os perigos não estão restritos àqueles que postam constantemente. Mesmo postagens esporádicas podem trazer riscos significativos. “Até mesmo quem não se expõe muito, mas posta algumas fotos bobas, que acham algo superinocente, podem correr perigo assim como aqueles que não têm noção de sua privacidade. Alguém que tem uma conta pequena, com cem seguidores, que não tem abrangência, pode postar algo e aquilo viralizar. Daqui a pouco, são 10 milhões de pessoas vendo aquela informação. E é aí que mora o perigo”, reforça Castilho.

Medidas de segurança

Para se proteger, Castilho recomenda cautela ao compartilhar informações pessoais, inclusive detalhes aparentemente inocentes, como locais frequentados regularmente ou fotos de crianças. Ele também sugere manter as redes sociais privadas e permitir acesso apenas a pessoas conhecidas. “Não postar fotos de crianças também é importante, além de deixar as redes completamente fechadas e só permitir que quem seja seu amigo, que você conheça verdadeiramente, te siga”, orienta.

Pixabay

Impactos na saúde mental

Além dos riscos de segurança, o uso excessivo das redes sociais pode afetar a saúde mental dos usuários. O psicólogo clínico João Gabriel Grabe destaca que a exposição constante pode levar a problemas como ansiedade, depressão e dependência emocional. “É um risco bem diverso, porque vai afetar cada pessoa de uma forma diferente, mas, basicamente, a ansiedade, a angústia, o momento depressivo e a desatenção podem ser vistos como as principais respostas a essa exposição às redes, impactando principalmente a autoestima e o autorreconhecimento daquele que se expõe de uma forma intensa”, explica.

Motivações para compartilhar

Segundo o psicólogo e psicanalista Danty Marchezane, a necessidade de compartilhar pode estar ligada ao desejo de criar laços sociais, uma característica da contemporaneidade. “É uma questão do nosso tempo, porque é uma forma de criar um laço, e sabemos que as redes sociais fazem essa promessa da criação de um laço social”, afirma. Ele também observa que a virtualização das relações substitui os encontros físicos, levando a um comportamento de constante conexão digital.

Além disso, Marchezane acredita que o compartilhamento pode surgir de um desejo de expressão pessoal. “Acho que também pode estar ligada a uma necessidade que a pessoa tem de expressar algo em determinado momento. É algo que sempre fizemos, mas agora, com as redes sociais, fazemos isso para todo mundo”.

Efeitos do feedback digital

João Gabriel Grabe explica que a interação com o conteúdo postado, como likes e comentários, pode gerar uma variedade de sensações, desde prazer até angústia. “Cada like, cada comentário, cada reação pode gerar sensações de prazer, alívio e satisfação, porque mexe com diferentes sentimentos e expectativas dessas pessoas; assim como também pode gerar sensações de angústia, ansiedade e desprazer. Como um vício, a demanda por esses likes afetuosos, que causam um bem-estar imediato, faz com que a frequência do uso das redes aumente, quase como uma dependência, seja em busca do sentimento de ser desejado ou desejada, seja em busca de reafirmação, reconhecimento e vários outros sentimentos que, muitas vezes, podem causar um adoecimento se não são supridos”.

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