Reajuste dos planos de saúde provoca debate anual

Entenda a realidade das operadoras e a necessidade dos aumentos

Por Plox

28/05/2024 08h36 - Atualizado há cerca de 2 meses

Com a chegada do outono, inicia-se o tradicional debate sobre o reajuste dos planos de saúde. Especialistas frequentemente classificam os aumentos como abusivos e recomendam aos consumidores que judicializem a questão. No entanto, a viabilidade das operadoras de saúde raramente é discutida com a mesma intensidade.

Foto: Pixabay/Reprodução

Origem e funcionamento dos planos de saúde

O sistema público de saúde brasileiro, considerado ineficiente para atender a todos com qualidade, levou ao surgimento de diversas operadoras de planos de saúde. Essas empresas incluem seguradoras, cooperativas médicas, autogestões e empresas de medicina de grupo, todas fundamentadas no princípio do mutualismo. Nesse sistema, pessoas saudáveis se associam para garantir tratamento quando necessário, enfrentando riscos como epidemias, pandemias ou uso excessivo dos serviços.

Desafios enfrentados pelas operadoras

Um problema significativo para as operadoras são as fraudes, com doentes crônicos adquirindo planos de forma desonesta. Além disso, a constante expansão do rol de coberturas dificulta o planejamento financeiro das empresas.

A inflação da saúde tem crescido rapidamente, superando os índices gerais de inflação do país. Dados públicos, como os da ANS e do Ministério da Saúde, mostram que a sinistralidade – os custos com médicos, hospitais e outros serviços – atingiu 82% do faturamento das operadoras nos últimos anos. Com apenas 18% do faturamento restante para cobrir todos os outros custos operacionais, muitas operadoras lutam para fechar as contas, pois os custos administrativos e comerciais geralmente consomem mais do que o valor arrecadado.

Sobrevivência das operadoras

Apesar desses desafios, as operadoras ainda sobrevivem graças a um fluxo de caixa favorável. Quando um novo beneficiário entra no sistema, o primeiro pagamento é recebido imediatamente, enquanto os custos de utilização só são pagos 60 dias depois. Esse fluxo financeiro permite que as empresas continuem operando, gerem empregos e, eventualmente, alcancem uma escala que reduza seus custos.

reajustes inevitáveis

O impacto dos reajustes sobre os consumidores é indiscutivelmente alto, especialmente considerando a defasagem salarial e a baixa qualidade dos serviços públicos. Contudo, é crucial entender que "os reajustes são necessários para cobrir os prejuízos das operadoras e em outras palavras, para evitar que elas fechem e nos obriguem a procurar o tão defasado sistema público". Assim, os aumentos visam manter a viabilidade das operadoras e garantir que os consumidores continuem a ter acesso a cuidados de saúde de melhor qualidade.

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