Injeção semestral para prevenir HIV avança na África, mas ainda não chegou ao SUS

A incorporação do medicamento injetável para prevenção do HIV depende de análise da Conitec e de decisão do Ministério da Saúde.

28/07/2026 às 09:53 por Redação Plox

A África do Sul iniciou em junho a distribuição do lenacapavir, medicamento injetável que oferece proteção contra o HIV com duas aplicações por ano. No Brasil, o uso preventivo já foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas o remédio ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) e o país ficou fora do acordo que permite a produção de versões genéricas mais baratas.

Injeção semestral para prevenir HIV avança na África, mas ainda não chegou ao SUS

Foto: Magnific

A principal vantagem do lenacapavir é reduzir uma das maiores dificuldades enfrentadas por quem utiliza a Profilaxia Pré-Exposição, a PrEP: manter o uso diário dos comprimidos. Com a aplicação subcutânea a cada seis meses, o medicamento permanece no organismo em concentração suficiente para impedir que o HIV se estabeleça após uma possível exposição.

Estudos apontaram proteção elevada

O lenacapavir atua sobre o capsídeo, estrutura que protege o material genético do HIV e participa de diferentes etapas da multiplicação do vírus. Essa forma de ação, associada à alta potência e à longa permanência no organismo, permite o intervalo de seis meses entre as aplicações.

No estudo Purpose 1, realizado com mulheres cisgênero, nenhuma participante que recebeu o lenacapavir adquiriu HIV durante o período analisado. No Purpose 2, que incluiu homens cisgênero e pessoas de gênero diverso, a incidência foi 96% menor em comparação com a estimativa de infecções esperadas e 89% inferior à registrada entre participantes que receberam a PrEP oral diária.

A Anvisa autorizou, em janeiro de 2026, o uso do medicamento para prevenir a transmissão sexual do HIV-1 em adultos e adolescentes com mais de 12 anos e peso mínimo de 35 quilos. Antes do início da profilaxia, é necessário confirmar que a pessoa não vive com o vírus. Reações como dor, inchaço, vermelhidão, coceira e nódulos no local da aplicação estão entre os possíveis efeitos adversos.

Brasil ficou fora da licença para genéricos

A fabricante Gilead firmou acordos com seis empresas para permitir a produção sem cobrança de royalties em 120 países de baixa renda ou com elevada incidência de HIV. Brasil, Argentina, México e Peru, apesar de terem participado dos estudos clínicos, não foram incluídos na licença voluntária.

A organização Médicos Sem Fronteiras critica a limitação geográfica e afirma que a proteção anual, correspondente às duas aplicações, deveria custar no máximo US$ 40. A entidade também alerta que os primeiros lotes destinados aos países elegíveis são insuficientes para atender todas as pessoas com maior risco de infecção.

No Brasil, a aprovação da Anvisa não significa oferta imediata pelo SUS. A incorporação depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de decisão do Ministério da Saúde. O lenacapavir também não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis nem contra gravidez, por isso deve integrar uma estratégia combinada que inclua testagem, preservativos e acompanhamento dos serviços de saúde.

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