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Pesquisadores anunciaram nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão prolongada do HIV após transplantes de células-tronco. Os pacientes permanecem há 14 e 12 meses, respectivamente, sem tomar medicamentos antirretrovirais e sem apresentar retorno detectável do vírus. Com os registros, chega a 13 o número de casos semelhantes documentados no mundo.
HIV (Imagem ilustrativa)
Foto: Darwin Laganzon | Pixabay
Apesar dos resultados promissores, os médicos evitam falar em cura definitiva. O termo considerado mais adequado neste momento é remissão sustentada sem tratamento, uma vez que o acompanhamento ainda precisa continuar para verificar se o HIV permanece escondido em algum tecido e pode voltar a se multiplicar.
Um dos casos envolve um jovem de 21 anos conhecido como “paciente de Kansas City”, nos Estados Unidos. Diagnosticado com HIV em 2018 e posteriormente com leucemia, ele recebeu, em 2020, células-tronco de uma doadora compatível que apresentava a rara mutação genética CCR5-delta32.
Essa alteração dificulta que as formas mais comuns do HIV utilizem o receptor CCR5 como porta de entrada nas células do sistema imunológico. O tratamento antirretroviral foi suspenso sob acompanhamento médico em fevereiro de 2025. Quatorze meses depois, os exames continuavam sem identificar vírus capaz de se multiplicar.
O segundo paciente vivia também com hepatite B e apresentava variantes do HIV capazes de usar mais de uma via para entrar nas células. Pouco mais de quatro anos após o transplante, os antirretrovirais foram interrompidos. Depois de 12 meses, a carga viral do HIV permanecia indetectável e não foram encontrados vírus intactos em amostras do intestino e do reto.
A suspensão dos medicamentos, entretanto, provocou a reativação da hepatite B, porque parte da terapia também controlava esse vírus. O paciente precisou iniciar um tratamento específico para a infecção hepática.
Os transplantes foram realizados para tratar leucemias e outras doenças graves do sangue, e não exclusivamente o HIV. O procedimento exige quimioterapia intensa e pode provocar rejeição, infecções graves, danos a órgãos e até a morte, sendo indicado somente quando o benefício esperado supera esses riscos.
Os dois pacientes continuarão sendo monitorados antes que uma eventual cura possa ser confirmada. Pesquisadores estudam esses casos para tentar reproduzir o controle do HIV por meio de alternativas mais seguras, como terapias genéticas e imunológicas. Pessoas que vivem com HIV não devem interromper os antirretrovirais fora de pesquisas clínicas e sem orientação médica, pois, na maioria dos casos, o vírus volta a se multiplicar rapidamente.