Conferência no Rio anuncia dois novos casos de remissão prolongada do HIV

Pacientes estão há 14 e 12 meses sem antirretrovirais e sem vírus detectável capaz de se multiplicar após transplantes de células-tronco.

28/07/2026 às 07:39 por Redação Plox

Pesquisadores anunciaram nesta segunda-feira (27), durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, dois novos casos de remissão prolongada do HIV após transplantes de células-tronco. Os pacientes permanecem há 14 e 12 meses, respectivamente, sem tomar medicamentos antirretrovirais e sem apresentar retorno detectável do vírus. Com os registros, chega a 13 o número de casos semelhantes documentados no mundo.

HIV (Imagem ilustrativa)

HIV (Imagem ilustrativa)

Foto: Darwin Laganzon | Pixabay

Apesar dos resultados promissores, os médicos evitam falar em cura definitiva. O termo considerado mais adequado neste momento é remissão sustentada sem tratamento, uma vez que o acompanhamento ainda precisa continuar para verificar se o HIV permanece escondido em algum tecido e pode voltar a se multiplicar.

Paciente de 21 anos está há 14 meses sem antirretrovirais

Um dos casos envolve um jovem de 21 anos conhecido como “paciente de Kansas City”, nos Estados Unidos. Diagnosticado com HIV em 2018 e posteriormente com leucemia, ele recebeu, em 2020, células-tronco de uma doadora compatível que apresentava a rara mutação genética CCR5-delta32.

Essa alteração dificulta que as formas mais comuns do HIV utilizem o receptor CCR5 como porta de entrada nas células do sistema imunológico. O tratamento antirretroviral foi suspenso sob acompanhamento médico em fevereiro de 2025. Quatorze meses depois, os exames continuavam sem identificar vírus capaz de se multiplicar.

O segundo paciente vivia também com hepatite B e apresentava variantes do HIV capazes de usar mais de uma via para entrar nas células. Pouco mais de quatro anos após o transplante, os antirretrovirais foram interrompidos. Depois de 12 meses, a carga viral do HIV permanecia indetectável e não foram encontrados vírus intactos em amostras do intestino e do reto.

A suspensão dos medicamentos, entretanto, provocou a reativação da hepatite B, porque parte da terapia também controlava esse vírus. O paciente precisou iniciar um tratamento específico para a infecção hepática.

Procedimento não pode ser aplicado à população em geral

Os transplantes foram realizados para tratar leucemias e outras doenças graves do sangue, e não exclusivamente o HIV. O procedimento exige quimioterapia intensa e pode provocar rejeição, infecções graves, danos a órgãos e até a morte, sendo indicado somente quando o benefício esperado supera esses riscos.

Os dois pacientes continuarão sendo monitorados antes que uma eventual cura possa ser confirmada. Pesquisadores estudam esses casos para tentar reproduzir o controle do HIV por meio de alternativas mais seguras, como terapias genéticas e imunológicas. Pessoas que vivem com HIV não devem interromper os antirretrovirais fora de pesquisas clínicas e sem orientação médica, pois, na maioria dos casos, o vírus volta a se multiplicar rapidamente.

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