STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
No Brasil, 632.763 crianças aguardam por uma vaga em creches públicas, evidenciando um grande desafio para a educação infantil no país. Quase metade dos municípios brasileiros (44%) tem crianças na fila de espera para creches, segundo dados do levantamento nacional "Retrato da Educação Infantil no Brasil - Acesso e Disponibilidade de Vagas". A pesquisa, realizada pelo Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política da Educação no Brasil (Gaepe-Brasil), reuniu informações entre 18 de junho e 5 de agosto de 2023 e foi divulgada em 27 de agosto.

Direito e obrigatoriedade
A educação infantil, compreendendo creches e pré-escolas, é um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988 e ratificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022. Creches atendem crianças de até 3 anos, ou até 4 anos se completados após 31 de março. Já na pré-escola, a frequência é obrigatória para crianças de 4 e 5 anos, ou até 6 anos, se completados após 31 de março, quando então ingressam no ensino fundamental.
Deficit de vagas e principais motivos
Dos 5.569 municípios brasileiros e o Distrito Federal, que responderam ao levantamento, 2.445 (44%) têm filas de espera para creches. Entre esses, 88% relatam que a principal causa da espera é a falta de vagas. Outros motivos citados incluem preferências dos pais, que optam por manter as crianças em casa, desconhecimento sobre o processo de matrícula, dificuldades de transporte, especialmente em áreas rurais, e mudanças frequentes de endereço.
O estudo revela ainda que, entre as crianças na fila por uma vaga em creche, 19% têm até 11 meses de idade, 28% têm 1 ano, 26% têm 2 anos, 21% têm 3 anos, e 5% têm 4 anos. A região Sudeste é a mais afetada, com 212,5 mil crianças fora de creches, seguida pelas regiões Nordeste (124,3 mil), Sul (123,3 mil), Norte (94,3 mil) e Centro-Oeste (78,1 mil).
Pré-escola e outros desafios
Na pré-escola, 78.237 crianças não estão frequentando as aulas, sendo que em 50% dos casos a causa é a falta de vagas. Entre os municípios, 8% das crianças em idade de pré-escola não estão matriculadas, principalmente devido à falta de vagas e à não realização da matrícula pelos responsáveis.
Critérios de atendimento e transparência
Apenas 11% dos municípios brasileiros atendem crianças em creches sem estipular idade mínima, enquanto os demais estabelecem diferentes idades iniciais, variando de 1 mês a 3 anos. Sobre os critérios de priorização de vagas, 44% dos municípios adotam critérios específicos, com 64% priorizando crianças em situação de risco ou vulnerabilidade, seguidas por crianças com deficiências (48%), responsáveis que trabalham fora (48%), e famílias de baixa renda (38%).
Apesar da obrigatoriedade imposta pela Lei 14.685/2023 para divulgação das listas de vagas, apenas 25% dos municípios cumprem essa exigência.
Esforços federais para expandir a oferta
Em resposta aos desafios apresentados, o Ministério da Educação (MEC) anunciou investimentos focados na ampliação de vagas e na qualidade da oferta na educação básica. Até 2026, estão previstas a construção de 2,5 mil novas creches e pré-escolas através do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica, que busca concluir obras paralisadas.
Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do MEC, destacou que desde 2023 foram investidos mais de R$ 1 bilhão na educação infantil, incluindo R$ 592 milhões no Programa Escola em Tempo Integral e outros R$ 492 milhões no Programa de Apoio à Manutenção da Educação Infantil. "Já entregamos 378 novas creches", ressaltou Schweickardt.
Apoio e articulação
Para enfrentar o déficit de vagas e garantir o acesso universal à educação infantil, a presidente executiva do Instituto Articule, Alessandra Gotti, defende a implementação de um plano que contemple a expansão das vagas de creche e a priorização das crianças mais necessitadas. Já o conselheiro da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Cezar Miola, reforça a importância de conhecer os dados para que diferentes instituições possam auxiliar os municípios na superação dos desafios educacionais. "Não se controla o que não se conhece", enfatizou Miola.