Justiça italiana mantém Carla Zambelli presa durante processo de extradição
Tribunal em Roma avaliou risco de fuga como ‘grau máximo’ e rejeitou pedido da defesa para que deputada aguardasse em liberdade
Por Plox
28/08/2025 09h41 - Atualizado há cerca de 12 horas
A Justiça da Itália decidiu nesta quinta-feira (28) que a deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) permanecerá presa no complexo penitenciário de Rebibbia, em Roma, enquanto segue o processo de extradição para o Brasil. A decisão foi tomada após análise de um recurso apresentado pela defesa, que pedia que ela aguardasse o julgamento em liberdade.

O tribunal, formado por três juízes, concluiu que o risco de fuga da parlamentar é considerado de “grau máximo” caso fosse solta. Os magistrados também rejeitaram os argumentos apresentados pela defesa, que alegava risco à saúde da deputada dentro da prisão. Em sua decisão, o colegiado ressaltou que a unidade oferece acompanhamento médico contínuo, terapias farmacológicas e monitoramento especializado.
O tema foi debatido em audiência realizada na quarta-feira (27), reagendada após ter sido adiada no início do mês, quando Zambelli passou mal. Antes disso, no dia 22 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) havia condenado a parlamentar a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma. Os delitos ocorreram em outubro de 2022, às vésperas do segundo turno das eleições, quando ela discutiu e perseguiu um eleitor armado em São Paulo.
A defesa nega que Zambelli tenha cometido crime e afirma que a deputada tinha autorização para portar a arma, mantendo a possibilidade de recurso. Esse não foi o único julgamento recente: em maio, o STF já havia condenado a parlamentar a 10 anos de prisão, de forma unânime, pela invasão de sistemas e adulteração de documentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação que envolveu o hacker Walter Delgatti Neto.
Zambelli está foragida desde 29 de julho, data em que passou a ser alvo de um pedido de extradição assinado pelo ministro Alexandre de Moraes. O processo de extradição na Itália pode durar de um ano e meio a dois anos. Paralelamente, o nome da deputada foi incluído na lista de procurados da Interpol, o que equivale a uma ordem internacional de prisão.
Enquanto isso, Zambelli também enfrenta processo de cassação do mandato na Câmara dos Deputados, consequência direta das condenações impostas pelo Supremo.