Megaoperação atinge sistema financeiro e postos em ação contra o PCC

Com 1.400 agentes mobilizados, força-tarefa mira esquema bilionário em combustíveis e movimentações financeiras ligadas ao crime organizado

Por Plox

28/08/2025 09h46 - Atualizado há cerca de 12 horas

Uma ofensiva sem precedentes contra o crime organizado movimentou 1.400 agentes da Polícia Federal e da Receita Federal nesta quinta-feira (28/8), em uma megaoperação que busca desarticular as bases financeiras e logísticas do Primeiro Comando da Capital (PCC).


Imagem Foto: RF


A ação simultânea, batizada de Carbono Oculto, acontece em oito estados brasileiros e tem como foco central duas frentes: fraudes bilionárias no setor de combustíveis e movimentações financeiras em áreas nobres do país, como a região da Faria Lima, em São Paulo.



Cerca de 350 alvos foram identificados nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina. As investigações apontam que o esquema atuava em pelo menos 1.000 postos de combustíveis, com movimentação estimada em R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Minas Gerais também está entre os locais atingidos pela operação.



Entre os alvos está a Reag Investimentos, empresa listada na Bolsa brasileira (B3), localizada no centro financeiro de São Paulo. A desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivana David, vê na investigação um potencial divisor de águas:
\"Quando vemos uma operação na Faria Lima, conseguimos imaginar a profundidade financeira e quem são os indivíduos envolvidos. Acho que conseguiremos chegar, de alguma forma, bem perto do fundo desse poço e saber quem está gerenciando toda essa operação financeira\",

afirmou.

Para ela, o avanço das investigações sobre o braço financeiro da organização criminosa é fundamental para entender sua real influência na economia nacional. “Atingir esse núcleo nos oferece uma visão concreta da extensão e profundidade do envolvimento do crime organizado”, acrescentou.


Ivana também destacou a atratividade do mercado de combustíveis para o crime, ressaltando que há estudos que mostram que adulterar gasolina pode ser até mais lucrativo do que o tráfico de drogas. “A organização tem expandido o dinheiro do tráfico para outras áreas”, explicou.


Além disso, ela chamou atenção para os efeitos diretos desse tipo de esquema na vida dos consumidores. Segundo a magistrada, “o consumidor paga duas vezes: uma quando os impostos são sonegados e os serviços públicos deixam de ser entregues, e outra quando recebe combustível adulterado ou em menor quantidade”.


A operação representa o que as autoridades classificam como a maior ofensiva da história do Brasil contra o crime organizado, tanto em número de agentes mobilizados quanto em alcance de alvos e setores atingidos.


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