União Brasil cogita deixar governo Lula e pressiona ministro do Turismo a sair

Após críticas do presidente sobre falta de fidelidade, partido discute entrega de cargos e substituição no comando do Turismo

Por Plox

28/08/2025 08h21 - Atualizado há 3 dias

Após cobranças públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mais lealdade dos partidos do Centrão, o União Brasil e o Progressistas (PP) articulam a saída antecipada do governo. A decisão deve ser oficializada após uma reunião marcada para a próxima quarta-feira (3/9), quando a cúpula do União Brasil discutirá a entrega dos cargos que ocupa na Esplanada.



Imagem Foto: Ricardo Stuckert /PR



A tensão aumentou depois que Lula afirmou, durante reunião ministerial, não gostar do presidente do União Brasil, Antonio Rueda — e que a recíproca também seria verdadeira. Além disso, o presidente criticou o ex-ministro Ciro Nogueira (PP), acusando-o de trabalhar para ser vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) nas eleições presidenciais de 2026, por não ter base eleitoral suficiente no Piauí.



O União Brasil comanda três ministérios no governo: Integração Nacional (Waldez Góes), Comunicações (Frederico Siqueira Filho) e Turismo (Celso Sabino). Entre eles, apenas o ministro do Turismo enfrenta pressão interna para deixar o cargo. Ele tenta, nos bastidores, manter-se na função, mas já recebeu ameaças de expulsão da legenda. Nos bastidores, aliados de Davi Alcolumbre (União-AP) cogitam indicar um novo nome para o posto.



Waldez Góes e Siqueira Filho devem continuar nos ministérios, já que não são filiados ao União Brasil e foram indicados por articulações específicas do Senado. Siqueira, por exemplo, presidia a Telebras antes de assumir a pasta das Comunicações.



A declaração de Lula gerou reações imediatas. Antonio Rueda rebateu as críticas, defendendo a “independência” do partido em relação ao governo federal. Em nota, afirmou que a convivência institucional deve ser baseada em respeito às responsabilidades, e não em afinidades pessoais.



A bancada do União Brasil na Câmara também manifestou apoio a Rueda e ressaltou que a independência da legenda é essencial para a democracia. O texto reforçou ainda o reconhecimento ao trabalho do ministro do Turismo, sem mencionar a pressão por sua saída.



De olho nas eleições de 2026, líderes do União Brasil e do PP já se movimentam fora da base governista. O senador Efraim Filho (PB), por exemplo, se aproximou do PL de Jair Bolsonaro e lançou sua pré-candidatura ao governo da Paraíba, subindo ao palco em evento ao lado de Michelle Bolsonaro e defendendo pautas da oposição. Ele também aderiu ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado.



O cenário indica um afastamento definitivo das duas siglas do governo federal, com pouca expectativa de apoio à eventual candidatura de Lula à reeleição.


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