A morte não precisa representar um ponto final. Esse é o lema que inspira os profissionais do Hospital Municipal de Contagem, na Grande BH, que atuam na Comissão de Infraestrutura Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos de Transplante (CIHDOTT).
Foto: HC-UFMG/Ebserh Neste 27 de setembro, Dia Nacional de Doação de Órgãos, a mobilização de médicos e enfermeiros ganha força com histórias que tocam a realidade de quem vive na fila por um transplante. Entre os casos que marcaram o mês está o de Bruno Franklin Farias, de 43 anos, que sofreu um grave acidente na BR-040. Após ser diagnosticado com morte encefálica, sua esposa autorizou a doação de órgãos. "Posso dizer às nossas filhas que o pai delas vive em outras pessoas", afirmou a viúva, emocionada.
Segundo o MG Transplantes, cerca de 4 mil pessoas aguardam por transplantes de órgãos sólidos em Minas Gerais. A maioria espera por rins, enquanto a fila por córneas já supera 4,5 mil pacientes. Durante a pandemia de COVID-19, os transplantes foram suspensos em várias unidades. Neste ano, o Hospital Municipal de Contagem retomou a retirada de pulmões, procedimento interrompido desde 2020.
Duda Porto, de 17 anos, é símbolo de superação. Desde os três anos, enfrentava problemas renais. Após 19 cirurgias, recebeu um rim de uma jovem doadora de Itabira. Hoje, é campeã nacional nos Jogos de Transplantados. Casos como o dela reforçam a importância da doação para transformar vidas.
A gerente do MG Transplantes, Sílvia Zenóbio, aponta a recusa familiar como principal obstáculo. Mesmo com o desejo expresso em vida, só parentes até segundo grau podem autorizar. A estrutura médica existe, mas falta doação. A retomada dos transplantes de pulmão no Hospital das Clínicas da UFMG, após mais de uma década, é um passo importante para enfrentar o desafio crescente das filas por órgãos.