Biomm fecha contratos de R$ 303,6 milhões com governo Lula em meio a investigações sobre sócios

Empresa controlada pelo Banco Master assina acordos de dez anos para fornecimento de insulina ao SUS, enquanto sócios e parceiros enfrentam investigações da PF e processos no STF por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro

29/01/2026 às 13:58 por Redação Plox

A Biomm, empresa brasileira de biotecnologia que tem o Banco Master, de Daniel Vorcaro, como principal acionista, fechou contratos que somam ao menos R$ 303,65 milhões com o governo Luiz Inácio Lula da Silva ao longo de 2025. Os acordos preveem o fornecimento de insulina ao Ministério da Saúde e integram parcerias de desenvolvimento produtivo com duração estimada de dez anos.

Lula e Daniel Vorcaro

Lula e Daniel Vorcaro

Foto: Fotos: PR/Ricardo Stuckert | Márcio Gustavo Vasconcelos /CC0


Contratos de insulina com o Ministério da Saúde

Um dos contratos foi anunciado em 30 de junho de 2025, no valor de R$ 142 milhões, para fornecimento de insulina humana ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse acordo, a Biomm atua em parceria com a farmacêutica indiana Wockhardt e com a Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Outro contrato foi formalizado em 3 de novembro de 2025 e prevê a entrega de insulina glargina ao Ministério da Saúde. O valor inicial estimado é de R$ 131 milhões, em parceria com a empresa chinesa Gan&Lee Pharmaceuticals e com Bio-Manguinhos, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além desses dois acertos, o Ministério da Saúde assinou um termo específico com a Biomm para a compra de 2,01 milhões de doses de insulina glargina, no montante de R$ 30,65 milhões. O contrato tem validade de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por até dez anos. A entrega foi dividida em quatro lotes, com prazo máximo até 15 de abril de 2026.

Presença de Lula em fábrica da Biomm

Em abril de 2024, Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da Biomm, em Nova Lima (MG). A companhia tem como principal acionista o Banco Master, por meio do Fundo Cartago, que detém 25,86% do capital. Apesar de o Master possuir a maior fatia da empresa, Daniel Vorcaro não compareceu à cerimônia.

Na ocasião, o presidente dividiu o palco com outros sócios da Biomm, como Walfrido dos Mares Guia, que possui 5,53% da participação, e Lucas Kallas, da Cedro Participações, acionista com 8%. A presença de sócios investigados em operações da Polícia Federal acrescenta um componente político e jurídico à relação da empresa com o governo federal.

Sociedade, investigações e STF

Lucas Kallas, empresário do setor de mineração, já foi citado em diferentes investigações da Polícia Federal, como as operações Parcours e Rejeito. Ele nega qualquer irregularidade. Um ponto em comum entre Kallas e Daniel Vorcaro é que ambos aparecem em inquéritos sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Toffoli é o relator tanto do caso relacionado ao Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero, quanto do inquérito da Operação Rejeito, em que o nome de Kallas é mencionado.

Relação de Lula com Lucas Kallas

A proximidade entre Lula e Lucas Kallas não se limita à inauguração da fábrica da Biomm, em 2024. Em fevereiro de 2025, o presidente elogiou o empresário durante a assinatura do contrato de concessão do terminal ITG-02, no Porto de Itaguaí (RJ). O Grupo Cedro arrematou a área por R$ 1 milhão e assumiu o compromisso de investir cerca de R$ 3 bilhões em três anos.

O histórico de Kallas, porém, inclui diversas citações em investigações. Em 2008, ele foi preso durante a Operação João de Barro, que apurava desvios de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no segundo mandato de Lula. Em entrevista à Agência Pública, afirmou que a maior parte das ações foi encerrada com reconhecimento de sua inocência.

Em março de 2025, o empresário voltou a ser citado na Operação Parcours, que investigou supostas irregularidades ambientais na Mina Curumi, em Minas Gerais, atribuídas à Empresa de Mineração Pau Branco. De acordo com a Polícia Federal, o prejuízo ambiental estimado chegaria a R$ 832 milhões. Kallas declarou que sua inclusão no inquérito era “completamente descabida”.

Já em setembro de 2025, o nome de Kallas apareceu em documentos da Operação Rejeito, que apurou crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro, com lucro estimado em ao menos R$ 1,5 bilhão. A investigação chegou ao STF após menção ao senador Rodrigo Pacheco, passando à relatoria de Dias Toffoli.

A combinação de contratos milionários com o governo, inaugurações oficiais e a participação de investigados em grandes operações federais reforça o grau de exposição política e institucional em torno da Biomm e de seus principais sócios.

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