Governo encerra 2025 com déficit de R$ 61,6 bilhões, dentro da meta fiscal
Resultado primário do governo central fecha 2025 com déficit de R$ 61,6 bilhões, mas cai para R$ 13 bilhões, o equivalente a 0,10% do PIB, após deduções previstas em lei, permitindo ao governo considerar cumprida a meta de equilíbrio fiscal e projetar superávit até 2028
29/01/2026 às 10:18por Redação Plox
29/01/2026 às 10:18
— por Redação Plox
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As contas do governo central — que reúnem Tesouro Nacional, Banco Central (BC) e Previdência Social — fecharam 2025 com déficit primário de R$ 61,6 bilhões.
Após as deduções previstas em lei, porém, o resultado recua para um déficit de R$ 13 bilhões, o equivalente a cerca de 0,10% do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, a meta fiscal de déficit zero foi considerada cumprida. O resultado oficial será divulgado na próxima sexta-feira (30/1) pelo Banco Central.
Os números constam do Relatório do Tesouro Nacional (RTN), divulgado nesta quinta-feira (29/1).
Dinheiro em espécie
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Em 2024, o déficit havia sido de R$ 42,9 bilhões, em valores nominais (sem correção pela inflação). Já em dezembro de 2025, o governo central registrou superávit primário de R$ 22,1 bilhões, ante superávit de R$ 24,1 bilhões em dezembro de 2024.
Receitas crescem menos que despesas em 2025
Em termos reais, a receita líquida aumentou 2,8% em 2025 na comparação com o ano anterior, enquanto a despesa total avançou 3,4% no mesmo período.
O desempenho do ano resulta de um superávit de R$ 255 bilhões nas contas do Tesouro Nacional e do Banco Central, compensado por um déficit de R$ 317 bilhões na Previdência Social.
Déficit é quando o governo tem mais despesas do que receitas; superávit ocorre quando as receitas superam os gastos. Já o resultado real é ajustado pela inflação, enquanto o resultado nominal mostra apenas os valores brutos.
Arrecadação em dezembro e no acumulado do ano
Em dezembro de 2025, a receita total cresceu R$ 7,6 bilhões (2,5%) em termos reais frente a dezembro de 2024. A receita líquida, por sua vez, avançou R$ 3,9 bilhões (1,6%) na mesma base de comparação.
Segundo o Tesouro, o aumento da receita líquida em dezembro foi influenciado, principalmente, pelo desempenho das receitas administradas pela Receita Federal. Entre os destaques estão:
Em dezembro de 2025, frente a dezembro de 2024:
Imposto sobre a Renda – aumento de R$ 6,1 bilhões
Cofins – aumento de R$ 4 bilhões
Arrecadação Líquida para o RGPS – aumento de R$ 5,1 bilhões
Concessões e Permissões – redução de R$ 6,3 bilhões
Dividendos e Participações – redução de R$ 13,9 bilhões
Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 7,8 bilhões
No acumulado do ano, a receita total registrou alta de R$ 90,8 bilhões (3,2%) em termos reais em relação a 2024. A receita líquida subiu R$ 64,3 bilhões (2,8%) na mesma comparação.
No acumulado de 2025, frente a 2024:
Imposto sobre a Renda – aumento de R$ 43,6 bilhões
IOF – aumento de R$ 15,4 bilhões
Outras receitas administradas pela RFB – aumento de R$ 13,7 bilhões
Arrecadação Líquida para o RGPS – aumento de R$ 37 bilhões
Dividendos e Participações – redução de R$ 26,3 bilhões
Exploração de Recursos Naturais – aumento de R$ 14,8 bilhões
Despesas sobem acima da inflação
Do lado das despesas, em dezembro de 2025, na comparação com o mesmo mês de 2024, a despesa total aumentou R$ 6,9 bilhões (3,1%) em termos reais.
Em dezembro de 2025, frente a dezembro de 2024:
Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 4,9 bilhões
Pessoal e Encargos Sociais – aumento de R$ 3,9 bilhões
Créditos Extraordinários – redução de R$ 9,0 bilhões
Discricionárias – aumento de R$ 4,4 bilhões
No acumulado de 2025, a despesa total avançou R$ 79,1 bilhões (3,4%) em termos reais em relação ao acumulado de 2024.
No acumulado de 2025, frente a 2024:
Benefícios Previdenciários – aumento de R$ 41,4 bilhões
Pessoal e Encargos Sociais – aumento de R$ 16,9 bilhões
Benefícios de Prestação Continuada da LOAS/RMV – aumento de R$ 10,8 bilhões
Créditos Extraordinários – redução de R$ 20,7 bilhões
Fundeb – Complementação da União – aumento de R$ 10 bilhões
Discricionárias – aumento de R$ 11,9 bilhões
Como funciona o resultado primário
O resultado primário mede a diferença entre receitas e despesas do governo, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública. Quando as receitas superam as despesas, há superávit primário; quando o saldo é negativo, há déficit primário.
No acumulado de 2024, o governo central teve déficit primário de R$ 43 bilhões, o que correspondeu a 0,36% do PIB. Mesmo com esse resultado negativo, a meta fiscal daquele ano foi cumprida.
Para 2025, a meta do governo federal é manter o déficit fiscal em zero, buscando equilibrar as contas públicas, com receitas e despesas em patamar equivalente.
Trajetória da meta fiscal até 2028
Assim como em 2024, o governo persegue em 2025 a meta de déficit fiscal zero. A estratégia prevê melhora gradual das contas públicas até 2028, quando se projeta alcançar superávit primário de 1% do PIB.
As projeções para os próximos anos são:
2026: superávit de 0,25% do PIB (R$ 34 bilhões)
2027: superávit de 0,50% do PIB (R$ 70,7 bilhões)
2028: superávit de 1% do PIB (R$ 150,7 bilhões)