“Meu filho não tem nada a ver”, diz síndico ao assumir morte de corretora

Cléber Rosa de Oliveira admitiu ter assassinado a corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, e indicou o local onde o corpo foi encontrado em área de mata; polícia investiga motivação ligada a conflitos comerciais e possível ocultação de provas pelo filho

29/01/2026 às 09:09 por Redação Plox

O síndico Cléber Rosa de Oliveira, que confessou ter matado a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, afirmou que cometeu o crime sozinho, sem participação do filho, Maicon Douglas de Oliveira. Pai e filho foram presos temporariamente em Caldas Novas, no sul de Goiás, enquanto a polícia apura se Maicon ajudou o pai a ocultar provas.

Meu filho não tem nada a ver com isso Cléber Rosa de Oliveira, em trecho exibido pela TV Anhanguera

Daiane Alves Souza, de 43 anos, está desaparecida há quase um mês em Caldas Novas

Daiane Alves Souza, de 43 anos

Foto: Arquivo pessoal/Nilse Alves Pontes


Em entrevista à TV Anhanguera, o advogado Felipe Borges de Alencar disse que a defesa tem postura colaborativa e que deve divulgar uma nota quando tiver acesso aos autos do processo. A defesa de Maicon não foi localizada.

As imagens divulgadas mostram Cléber chegando à central de delegacias especializadas, em Goiânia, nesta quarta-feira (28), quando reafirmou que o filho não estaria envolvido no caso. Ele é investigado por homicídio, enquanto a polícia apura se Maicon auxiliou na suposta ocultação de provas.

Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025, quando desceu ao subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas. Segundo familiares, ela e o síndico tinham um histórico de brigas e disputas judiciais.

Investigações apontam possível ajuda na ocultação de provas

Apesar da negativa de Cléber sobre a participação de Maicon, a Polícia Civil afirma suspeitar que o filho tenha ajudado ao entregar um celular novo ao pai, o que poderia servir para dificultar o acesso a possíveis provas em uma eventual apreensão do telefone antigo.

De acordo com a corporação, a prisão temporária de Maicon foi pedida justamente para esclarecer o momento e a extensão de sua atuação no caso, se antes ou depois do crime.

Pai e filho têm prisão temporária de 30 dias

Cléber e Maicon foram presos na madrugada desta quarta-feira, no condomínio onde moravam. Segundo a polícia, as prisões temporárias têm duração inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação pelo mesmo período.

O síndico é investigado por homicídio e ocultação de cadáver. Após ser preso, confessou o crime e indicou à polícia o local onde deixou o corpo de Daiane, em uma área de mata a cerca de 15 km de Caldas Novas. O corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição.

Além de Cléber e Maicon, o porteiro do prédio foi levado coercitivamente à delegacia para prestar depoimento. Ele, porém, não é considerado suspeito. O nome do funcionário não foi divulgado.

Conflitos e processos entre síndico e corretora

Durante os mais de 40 dias de desaparecimento da corretora, vieram à tona diversos conflitos entre ela e o síndico. As desavenças ultrapassaram os limites do condomínio e se transformaram em ações judiciais.

Segundo a família de Daiane, existem 12 processos envolvendo os dois. Sobre a dinâmica do crime e o que o levou a praticá-lo, Cléber permaneceu em silêncio após ser preso. A polícia trabalha com a hipótese de que a motivação esteja ligada a conflitos comerciais e à administração de seis apartamentos da família.

Investigadores apuram relatos de que a administração desses imóveis, antes nas mãos do síndico, teria sido transferida para Daiane, o que desencadeou uma sequência de atritos e denúncias de perseguição.

Câmeras de segurança e possível adulteração de imagens

Imagens que circulam na internet, registradas pelas câmeras do elevador do prédio, mostram Daiane descendo até a recepção e, em seguida, ao subsolo, onde deixa de ser vista. A polícia apura se o síndico usou as escadas para evitar ser filmado.

No início das investigações, a família não sabia se havia gravações do subsolo fora da área do elevador. A Polícia Civil apreendeu o aparelho responsável pelos registros para perícia e para verificar se houve alguma forma de adulteração, perda ou supressão de imagens que pudessem ajudar a esclarecer o caso.

Além do gravador das câmeras de segurança, foram recolhidos objetos pessoais que estavam no apartamento de Daiane, com o objetivo de complementar a análise pericial.

Corpo passa por perícia em Goiânia

O corpo da corretora foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML) nesta quarta-feira e levado para Goiânia, onde será submetido a exames periciais. Segundo a Polícia Científica, o laudo da necropsia, que deve indicar a causa da morte, tem prazo estimado de 10 dias para ficar pronto.

A perícia prevê a realização de tomografia computadorizada, análise da arcada dentária, exame antropológico e, se necessário, exames de DNA para reforçar a identificação e auxiliar na reconstrução das circunstâncias do crime.

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