Suspensão de lei que permitia táxis antigos no Rio deixa motoristas apreensivos e endividados

Decisão do TJ-RJ que barra circulação de veículos com mais de 10 anos, mesmo após vistoria, afeta taxistas que investiram alto em reformas e temem ficar sem trabalho

29/01/2026 às 13:35 por Redação Plox

Taxistas do Rio de Janeiro demonstraram preocupação, nesta quinta-feira (29), após a suspensão, pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), da lei municipal que autorizava a circulação de táxis com mais de 10 anos de fabricação.


Taxistas se reúnem para discutir a suspensão da lei que permitia a circulação de veículos com mais de 10 anos no Rio

Taxistas se reúnem para discutir a suspensão da lei que permitia a circulação de veículos com mais de 10 anos no Rio

Foto: Reprodução/TV Globo

A decisão reacendeu o temor do desemprego entre motoristas, que dizem não ter condições financeiras de trocar de veículo para continuar trabalhando. Muitos afirmam que, diante da dificuldade para financiar um carro novo, optaram por investir em reformas completas para manter os táxis em bom estado.

No ponto de táxi de Madureira, na Zona Norte do Rio, motoristas relatam um clima de incerteza sobre o futuro da profissão. Parte da categoria afirma que direcionou todos os recursos possíveis para melhorias estruturais nos carros, como motor, pintura, estofamento e suspensão, em vez de assumir dívidas mais altas com a compra de veículos zero quilômetro.

Lei permitia táxis mais antigos com vistoria anual

A lei, aprovada pela Câmara Municipal e publicada em agosto de 2024, permitia a circulação de táxis com mais de 10 anos de fabricação, desde que os veículos passassem por vistoria física anual para atestar condições de conservação, segurança, conforto e funcionamento.

Nesta semana, porém, a norma foi suspensa pela Justiça. De acordo com o entendimento dos desembargadores, a liberação de veículos mais antigos poderia representar riscos à segurança dos passageiros e causar impactos ao meio ambiente.

No dia a dia, a medida atinge sobretudo taxistas que concentraram seus recursos na recuperação de carros mais antigos. Muitos relatam que as reformas foram feitas em valores altos e, em diversos casos, parceladas ao longo de vários meses.


Alexandre Figueiredo trabalha como taxista há 24 anos e teme ficar desempregado

Alexandre Figueiredo trabalha como taxista há 24 anos e teme ficar desempregado

Foto: Reprodução/TV Globo

Motoristas relatam dívidas e medo de ficar sem trabalho

Entre os profissionais, é comum o relato de gastos elevados para manter os veículos dentro das exigências técnicas. Um dos motoristas afirma ter investido cerca de R$ 25 mil em melhorias estruturais, o que inclui troca de motor, reformas mecânicas e renovação estética do carro, como pintura e estofamento.

Outro taxista conta que recentemente reformou o motor e o interior do veículo, acumulando despesas em torno de R$ 11 mil, todas parceladas no cartão de crédito. Ele diz viver agora um momento de aperto financeiro, sem enxergar espaço no orçamento para a troca por um carro mais novo.

Para alguns, a suspensão da lei pode significar o fim da atividade profissional. Um motorista que trabalha há 24 anos na praça relata que o carro sustenta a família e que a possibilidade de comprar outro veículo está distante da realidade financeira. Segundo ele, se a exigência permanecer, o risco é de ficar desempregado após mais de duas décadas na profissão.

Protesto e pedido de linha de crédito específica

Na noite de quarta-feira (28), cerca de 200 taxistas organizaram uma carreata no Aterro do Flamengo para protestar contra a decisão judicial. A categoria reivindica a criação de uma linha de crédito específica para motoristas com veículos mais antigos, de forma a viabilizar a renovação da frota sem afastá-los do trabalho.

Se a prefeitura lançasse uma linha de crédito, como a AgeRio, que desse prioridade aos carros mais velhos, a solução seria mais viável. Hoje estamos altamente dependentes que o prefeito libere esse decreto pra ter condições de continuar trabalhando

José Antônio

Entre os profissionais, o argumento é que o acesso facilitado ao crédito permitiria uma transição menos traumática, evitando que taxistas endividados e com carros reformados fiquem sem condições de atuar nas ruas da cidade.

Táxis com mais de 10 anos de fabricação não podem circular no Rio

Táxis com mais de 10 anos de fabricação não podem circular no Rio

Foto: Reprodução/TV Globo

Usuários se dividem sobre táxis com mais de 10 anos

A medida também provoca divergências entre os passageiros. Parte dos usuários entende que a idade do veículo não deve ser o único critério, desde que o táxi esteja bem conservado. Um hoteleiro avalia que o estado geral do carro é o que mais importa e que veículos antigos, mas em bom estado, não representam problema.

Já outros consumidores dão preferência a carros mais novos, associando a renovação da frota a maior conforto durante as corridas. Uma passageira destaca fatores como ar-condicionado em bom funcionamento e ausência de bancos rasgados, situações que, segundo ela, ainda são comuns em alguns veículos mais antigos.

No centro da disputa, permanecem os taxistas que investiram na manutenção dos carros e agora veem o futuro da atividade ameaçado, à espera de uma solução que concilie segurança, meio ambiente e condições reais de trabalho.

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