Aumento para 35% de Etanol na Gasolina pode afetar veículos não flex e importados

Mudança visa estimular uso de combustíveis menos poluentes, mas gera preocupações sobre adaptação de veículos mais antigos e importados.

Por Plox

29/02/2024 07h47 - Atualizado há cerca de 2 meses

Em uma iniciativa que visa estimular o uso de combustíveis menos poluentes e apoiar a produção nacional de etanol, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) propôs um aumento significativo no percentual de etanol misturado à gasolina, de 27,5% para até 35%. Essa proposta faz parte de um relatório que aborda os "combustíveis do futuro" e inclui também um aumento na mistura de biodiesel no diesel comum, de 15% para até 25% a partir de 2031. A medida, que já está pronta para ser debatida em plenário, baseia-se em diretrizes do governo que previam um aumento para até 30% na proporção de etanol na gasolina.

 

A mudança proposta tem o potencial de gerar um investimento inicial de 200 bilhões de dólares, segundo o parlamentar. No entanto, levanta questões sobre os impactos em veículos que não são flex, especialmente modelos importados e híbridos, que podem não estar preparados para operar com um teor mais elevado de etanol. Segundo Lucimar Amaral, doutora em Engenharia Mecânica e professora do UniBH, "Os carros que vão sofrer mais são os novos importados e os híbridos, pois o sistema de condução de combustível, bico injetor e bomba de combustível terão que passar por revisões constantes".

 

A especialista também aponta que veículos mais antigos, fabricados antes de 1993, podem enfrentar dificuldades adicionais, como vibração e corrosão no motor, devido ao aumento do etanol na gasolina. Esses veículos não foram projetados originalmente para funcionar com a mistura de etanol, embora a situação tenha mudado a partir de outubro de 1993, quando os automóveis passaram a ser adaptados de fábrica para receber gasolina com 22% de adição de etanol, substituindo o uso do chumbo tetraetila, nocivo à saúde humana.

 

Por outro lado, a adoção da gasolina aditivada como alternativa para evitar problemas relacionados ao aumento do etanol é desmistificada pela professora Amaral, que esclarece: "A gasolina aditivada tem a mesma quantidade de etanol que a comum, ela só tem a mais alguns agentes que atuam melhorando o desempenho do motor". Ela ainda ressalta que a gasolina premium, apesar de ter uma proporção ligeiramente menor de etanol, não é uma solução viável devido ao seu alto custo e disponibilidade limitada.

 

A proposta ainda será debatida em plenário, e suas implicações para os proprietários de veículos no Brasil continuam sendo um tema de preocupação e discussão, evidenciando a necessidade de considerar tanto os benefícios ambientais quanto os desafios técnicos e econômicos associados à transição para combustíveis mais sustentáveis.

 

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