Obra com inteligência artificial emociona na abertura do Festival de Fotografia de Tiradentes

Projeto 'Bárbaras', da artista Claudia Jaguaribe, reconstrói rostos e trajetórias de mulheres negras esquecidas pela história usando IA

Por Plox

29/03/2025 10h41 - Atualizado há 4 dias

A abertura do 14º Festival de Fotografia de Tiradentes, que teve início na última quarta-feira (26), foi marcada pela apresentação do projeto 'Bárbaras', desenvolvido pela artista visual Claudia Jaguaribe.


Imagem Foto: Claudia Jaguaribe divulgação


Usando ferramentas de inteligência artificial, Jaguaribe recriou rostos e histórias de mulheres negras que, mesmo tendo contribuído significativamente para a sociedade brasileira, permanecem praticamente invisíveis na memória coletiva. A obra mistura colagens, esculturas, pinturas e desenhos para dar forma a essas personagens históricas.


A palestra de estreia do festival aconteceu na noite desta quinta-feira (27) e contou com a presença de um público tão numeroso que parte precisou assistir do lado de fora.


Entre as figuras retratadas no projeto estão Aqualtune, Esperança Garcia e Rosa Egipcíaca. As três mulheres, com trajetórias distintas, enfrentaram a escravidão e deixaram marcas profundas na história do país.



Aqualtune, princesa do Congo, chegou ao Brasil no século XVII após ser capturada na batalha de Mbwila. Mesmo grávida, lutou ativamente contra a escravidão e teve papel relevante no Quilombo dos Palmares.


Esperança Garcia, considerada por estudiosos a primeira advogada do Brasil, viveu no século XVIII e escreveu uma carta ao governador do Piauí denunciando abusos. Sua carta é vista como uma petição pioneira por direitos civis.


Já Rosa Egipcíaca, nascida em 1719 na atual região do Benim, foi escravizada e trazida ao Brasil. Após abandonar a prostituição devido a visões místicas, dedicou-se à vida religiosa, escreveu uma obra espiritual de 250 páginas — posteriormente destruída em parte — e fundou um refúgio para ex-prostitutas.



O trabalho contou com apoio da historiadora e curadora Maria Eduarda Marques, e propõe uma reflexão sobre a importância da imagem na reconstrução da história.


Durante sua fala, Claudia Jaguaribe afirmou que entender essas histórias ajuda a compreender os avanços e os desafios ainda persistentes enfrentados por mulheres na sociedade atual.


O diretor artístico do festival, Eugenio Sávio, destacou que a arte contemporânea não poderia deixar de lado a inteligência artificial, e que o sucesso da palestra de Jaguaribe foi uma prova da relevância do tema.


A programação do festival, que segue até domingo (30), inclui ainda outras discussões envolvendo a IA. No sábado (29), a artista Mayara Ferrão apresentará, às 15h, o projeto “Álbum de Desesquecimentos”, também focado em mulheres negras. À noite, a partir das 21h, haverá uma batalha de imagens geradas por IA, organizada pelo coletivo Erro99, com votação popular.



Com entrada gratuita, o Festival de Fotografia de Tiradentes oferece cinco dias de palestras, exposições, lançamentos de fotolivros e atividades voltadas à reflexão e à valorização da arte fotográfica contemporânea.


A programação completa está disponível no site oficial do evento.



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