Supermercados de MG crescem em vendas, mas enfrentam apagão de mão de obra e ampliam self-checkouts

Consumo das famílias sobe 3,92% e setor fatura R$ 135,2 bilhões, enquanto mais de 5 mil vagas seguem abertas; tecnologia ganha espaço para dar agilidade às compras

29/03/2026 às 15:24 por Redação Plox

O setor supermercadista de Minas Gerais atravessa um momento de contraste. Em 2025, houve crescimento de 3,92% no consumo das famílias, com faturamento bruto de R$ 135,2 bilhões. Ao mesmo tempo, o segmento enfrenta um apagão de mão de obra, com mais de 5 mil vagas em aberto no Estado, segundo a Associação Mineira de Supermercados (Amis).

Com a necessidade de manter o atendimento ao cliente mesmo com equipes reduzidas, cresce o investimento em caixas de autoatendimento. O Grupo Supernosso, por exemplo, afirma ter investido R$ 3,5 milhões nos últimos anos para instalar 137 self-checkouts em suas lojas.

Imagem ilustrativa

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Foto: Pixabay


Escassez de mão de obra acelera adoção de self-checkouts

Gabriel Junqueira, empresário do ramo de automação comercial e dono da Avanço Informática, diz que, embora não seja uma tecnologia nova, a procura pelos caixas de autoatendimento aumentou nos últimos anos. Ele atribui esse avanço principalmente à dificuldade de contratação no setor, citando salários baixos e uma jornada considerada desafiadora, com expediente aos fins de semana.

O principal fator para esse aumento é a escassez de mão de obra. Salários baixos e jornada de trabalho desafiadora, com expediente aos fins de semana, dificultam as contratações e obrigam os empresários a pensar em soluções
Gabriel Junqueira, dono da Avanço Informática

Segundo ele, a tecnologia amplia a autonomia da loja, mas não elimina a necessidade de apoio humano. A orientação ao cliente e a resolução de dúvidas seguem exigindo presença de funcionários na área de autoatendimento. A diferença, explica, é operacional: enquanto um caixa convencional demanda um colaborador por posição, um funcionário pode gerenciar cerca de quatro equipamentos de autoatendimento.

O presidente executivo da Amis, Antônio Claret, reforça que o varejo supermercadista segue baseado em pessoas e que os self-checkouts entram como apoio para manter a qualidade do atendimento.

Agilidade para compras menores e expansão nas lojas

Além da falta de trabalhadores, a busca pelo autoatendimento também é impulsionada pela promessa de mais agilidade, principalmente para quem faz compras menores. Tatiana Ferreira, gerente de marketing do Grupo Supernosso, afirma que o sistema torna o processo mais rápido, com pagamento simples e assistência disponível em caso de dificuldade.

No grupo, o investimento somou cerca de R$ 3,5 milhões para a aquisição de 137 caixas, uma média de quatro equipamentos por unidade, segundo a empresa. O Supernosso informa ter 36 lojas, com a tecnologia presente em 32 delas.

Furtos, custo e experiência do cliente entram no radar

Apesar das vantagens, a operação traz desafios. Antônio Claret aponta o custo como um dos entraves, já que os equipamentos pesam no orçamento de montagem das lojas.

Gabriel Junqueira afirma que um caixa de autoatendimento custa, em média, de R$ 15 mil a R$ 20 mil. Ele cita também a opção de aluguel, por cerca de R$ 600 por mês.

Outro ponto sensível é a segurança. Por ser mais independente, o sistema pode ficar mais vulnerável a furtos, segundo Junqueira, que menciona medidas de prevenção como câmeras e recursos de inteligência artificial para reduzir perdas.

Já Gabriela Martins, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), chama atenção para a necessidade de monitoramento constante do funcionamento e para ajustes a partir do retorno dos consumidores. Na avaliação dela, falhas e frustrações podem fazer com que clientes evitem a tecnologia, o que tende a sobrecarregar outros caixas e comprometer a operação.

Setor projeta novas lojas e mais vagas em 2026

A dificuldade para contratar pode se intensificar em 2026. A Amis projeta a abertura de 78 novos supermercados em Minas Gerais, com cerca de 8.580 novos postos de trabalho.

Antônio Claret afirma que empresas têm adotado estratégias para atrair profissionais, como mutirões de emprego e oferta de benefícios, além da abertura de oportunidades para pessoas na maturidade e para quem busca a primeira experiência.

O Grupo Supernosso também anunciou a adoção da escala 5x2 para colaboradores de áreas operacionais, em projeto piloto aplicado em três unidades.

O cenário, porém, não se limita ao Estado. Levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em dezembro de 2025, apontava 357 mil vagas em aberto no país. Daniel Sakamoto, gerente executivo da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), avalia que a ampla oferta de vagas dá ao trabalhador mais margem para escolher o que considera melhor.

Para o economista Leandro Rosadas, especialista em gestão de supermercados, a adoção de tecnologias como self-checkouts e inteligência artificial tende a ser um caminho sem volta para compensar parte da falta de profissionais. Ele ressalta, no entanto, que há funções que não são substituídas por tecnologia, como reposição de prateleiras e atividades de açougue, o que reforça a necessidade de melhor remuneração nesses casos.

Com Daniele Madureira/Folhapress

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