Flávio Bolsonaro pede a EUA que “monitorem” liberdade de expressão no Brasil e pressionem por “eleições justas”

Em discurso no CPAC, no Texas, senador voltou a alegar interferência externa e criticou governo Lula; matéria ressalta ausência de provas sobre fraude nas urnas e falta de documentos públicos sobre acusação contra a USAID.

29/03/2026 às 10:44 por Redação Plox

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu, durante um discurso nos Estados Unidos, que os americanos “monitorem a liberdade de expressão” no Brasil e façam pressão diplomática sobre o país para garantir “eleições justas” em outubro, quando ele pretende disputar a Presidência da República.

Flávio falou neste sábado (28) no CPAC, evento conservador realizado no Texas, diante de uma plateia de apoiadores da direita norte-americana.

Flávio Bolsonaro discursa no CPAC EUA

Flávio Bolsonaro discursa no CPAC EUA

Foto: YouTube CPAC


Pedido por monitoramento e pressão diplomática

Ao defender que a eleição brasileira seja acompanhada “com enorme atenção”, o senador solicitou que os Estados Unidos e outros países cobrem o funcionamento adequado das instituições no Brasil, com foco na liberdade de expressão.

Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem adequadamenteFlávio Bolsonaro

Segundo a matéria, a fala reforça uma versão difundida por apoiadores da direita de que as eleições de 2022 teriam sido fraudadas. O texto aponta, porém, que até hoje não surgiu prova disso, nem mesmo no relatório elaborado pelas Forças Armadas para fiscalizar as urnas eletrônicas.

Acusações contra Biden e menção à USAID

No discurso, Flávio acusou o ex-presidente americano Joe Biden, do Partido Democrata, de interferência nas eleições brasileiras de 2022 — vencidas por Lula (PT) — por meio de uma “enxurrada de dinheiro” da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

O texto afirma que há rumores de que a agência teria interferido no resultado das urnas e financiado a campanha de Lula, mas ressalta que não há documento público que comprove isso. Ainda de acordo com a publicação, os projetos financiados pela USAID no Brasil são principalmente nas áreas de saúde e educação.

Críticas ao governo Lula e cenário de segurança

Flávio disse que a vitória de Lula resultou em “outra crise econômica devastadora”, além de uma crise de segurança pública com expansão de “cartéis narcoterroristas” e “múltiplos escândalos de corrupção”.

Na sequência, o senador afirmou não querer interferência nas eleições brasileiras “como o governo Biden fez para trazer Lula ao poder”, mas voltou a pedir que outros países observem o pleito brasileiro com atenção.

Menções ao STF e condenação de Jair Bolsonaro

Flávio também declarou que seu pai, Jair Bolsonaro, enfrenta perseguição judicial, em comparação ao que Donald Trump teria vivido nos Estados Unidos. No mesmo contexto, afirmou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenaram o ex-presidente também teriam atuado para levar Lula de volta ao poder, apontando uma conspiração contra a direita.

Conforme a matéria, Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes, junto de integrantes da cúpula de seu governo (2019–2022), entre eles generais. O texto informa que ele cumpre a pena em prisão domiciliar temporária, devido a problemas de saúde.

Brasil na América Latina e promessa de retorno ao CPAC

Ao citar a influência e o tamanho do Brasil na América Latina — em território, PIB e população — o discurso buscou enfatizar a importância, para um eventual governo Trump, de ter mais um governo alinhado a valores conservadores na região.

Flávio mencionou cinco vezes o termo “cartéis de drogas” ao pedir colaboração dos EUA no combate a facções como o paulista PCC e o carioca CV, e disse que Lula seria aliado desses grupos criminosos.

Por fim, prometeu voltar ao palco do CPAC no ano que vem como presidente do Brasil e afirmou que seria uma versão melhorada do pai, assim como, segundo ele, um segundo governo Trump seria melhor do que o primeiro. O senador estava acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro, apresentado no evento como “deputado exilado”, além de outros aliados.

Com informações AE

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