BCs de Brasil e EUA decidem juros em meio a guerra no Oriente Médio e pressão inflacionária

Fed deve manter taxas entre 3,50% e 3,75%, enquanto economistas projetam corte de 0,25 ponto na Selic para 14,50% após aceleração do IPCA-15

29/04/2026 às 14:27 por Redação Plox

Os bancos centrais de Brasil e Estados Unidos definem, nesta quarta-feira (29), os próximos passos da política monetária, em um cenário de incertezas provocado pela guerra no Oriente Médio. A crise no mercado de combustíveis tem pressionado os preços nos dois países e contribuído para a alta da inflação.

Nos Estados Unidos, o conflito reduziu a margem do Federal Reserve (Fed) para iniciar cortes nos juros. A expectativa do mercado é de manutenção do intervalo entre 3,50% e 3,75%. A reunião também ocorre em meio ao provável encerramento do mandato do presidente Jerome Powell, após um ano marcado por embates com Donald Trump.

Queda na Selic no Brasil e manutenção dos juros nos EUA deve desvalorizar o dólar

Queda na Selic no Brasil e manutenção dos juros nos EUA deve desvalorizar o dólar

Foto: • Freepik


Expectativa é de corte da Selic e real mais forte

No Brasil, economistas avaliam que a Selic tem efeito limitado para conter uma inflação impulsionada por choque de preços associado à guerra. As projeções apontam para um corte de 0,25 ponto percentual (p.p), com impacto destacado da queda no câmbio, em torno de R$ 5,00. *

Com isso, a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve levar a Selic para 14,50%. A manutenção dos juros nos Estados Unidos, por sua vez, tende a preservar um diferencial elevado entre as taxas dos dois países, o que pode contribuir para a valorização do real.

Diferencial de juros sustenta estratégia de “carry trade”

Um diferencial alto favorece a estratégia conhecida como “carry trade”, em que investidores tomam empréstimos em um mercado com juros menores e aplicam em ativos de outra moeda com taxas mais elevadas. Nesse ambiente, também há redução da pressão de depreciação cambial sobre a inflação.

Banco Inter projeta Selic média mais alta em 2026

Segundo projeções da equipe econômica do Banco Inter, a Selic média deve permanecer mais alta ao longo de 2026, com a taxa terminando o ano em 12,75%.

A taxa está em patamar ainda bastante restritivo, e por período prolongado, o que vem resultando em desaceleração na demanda principalmente via crédito, o que indica que o efeito do aperto monetário deve continuar. Assim, as projeções mais longas para a inflação seguem mostrando convergência, ainda que lenta, para a meta

Relatório da equipe econômica do Banco Inter

IPCA-15 acelera e é puxado por alimentação e transportes

A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, acelerou para 0,89%, segundo dados do IBGE publicados nesta terça-feira (28). No acumulado do ano, o indicador soma alta de 2,39% e, em 12 meses, chegou a 4,37%, acima dos 3,90% registrados nos 12 meses encerrados em março.

O resultado veio acima do que era esperado pelo mercado financeiro, que estimava alta de 1,01%, considerando o impacto do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no preço do barril do petróleo e nos combustíveis. Entre os principais avanços no período, os grupos que mais subiram foram Alimentação e Bebidas (1,46%) e Transportes (1,34%), mais pressionados pela alta da commodity.

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