Nikolas critica Jorge Messias e pressiona Senado durante sabatina para o STF

Deputado relembra o apelido “Bessias”, questiona transparência da AGU e cobra posicionamento público de senadores, apesar do voto secreto

29/04/2026 às 19:08 por Redação Plox

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo nas redes sociais com críticas ao atual advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). Messias passa por sabatina no Senado nesta quarta-feira (28).

Nikolas Ferreira em vídeo sobre Jorge Messias

Nikolas Ferreira em vídeo sobre Jorge Messias

Foto: reprodução/Instagram (@nikolasferreiradm)


Vídeo relembra “Bessias” e aponta proximidade com Lula

No início da gravação, Nikolas recorda que o jurista ficou conhecido como “Bessias” após um áudio vazado em 2016, no contexto da Lava Jato. Na gravação, a então presidente Dilma Rousseff (PT) diz a Lula que enviaria um termo de posse por meio de Jorge Messias para torná-lo ministro e, segundo o deputado, blindá-lo de investigações que mais tarde resultaram na prisão do petista.

Na sequência, o parlamentar resgata um trecho de um debate entre Lula e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022, em que o atual presidente afirmava que não poderia haver indicação de amigos para o STF. A partir disso, Nikolas sustenta que haveria uma relação próxima entre Lula e Messias.

É mais um amigo do Lula sendo indicado para o STF. Lembra do que o Lula prometeu na campanha? “Não é prudente, não é democrático um presidente da República querer ter os ministros da Suprema Corte como amigos.” Pois é, hoje já são dois amigos que ele tem na Corte, sendo que um era seu ex-advogado [Cristiano Zanin]. Ou seja, um tribunal que deveria guardar a Constituição e ser imparcial virou balcão de negócios políticos — destacou.

Nikolas Ferreira

Cobrança a senadores e críticas a decisões citadas pelo deputado

Em tom de cobrança aos senadores responsáveis por decidir sobre a indicação, Nikolas também mencionou o que classificou como histórico de decisões de Messias durante a carreira política. Entre os pontos citados, o deputado destacou uma manifestação relacionada ao tema do aborto, mesmo afirmando que o indicado se declara evangélico.

No vídeo, Nikolas afirma que Messias teria dito a líderes religiosos ser contrário ao aborto, mas que, quando o STF o convocou a se manifestar sobre uma decisão do Conselho Federal de Medicina que proibia a assistolia fetal em gestações acima de 22 semanas, assinou um parecer indicando que a proibição era inconstitucional. O deputado também descreveu o procedimento como a injeção de uma substância no coração do bebê para provocar a morte antes do nascimento e afirmou que, nesse estágio, o bebê já teria chances reais de sobreviver fora do útero.

Transparência na AGU e outros temas mencionados

O parlamentar ainda questionou a transparência da Advocacia-Geral da União sob a gestão de Messias. Segundo ele, a distribuição de honorários advocatícios deixou de ser divulgada entre novembro de 2024 e maio de 2025, voltando a ser publicada apenas após cobrança da imprensa. No período citado, Nikolas afirma que os pagamentos somaram R$ 2,5 bilhões.

Além disso, ao dizer que se baseou em diversas matérias jornalísticas, o deputado mencionou ações envolvendo fraudes do INSS, a criação do que chamou de “ministério da verdade” e decisões contra envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Ele também rebateu uma declaração em que Messias se diz indignado com projetos sobre anistia e concluiu que o indicado não seria um nome adequado para ocupar uma cadeira na Suprema Corte.

Ao final, Nikolas relembrou que a votação no Senado é secreta e sugeriu que senadores contrários à indicação se posicionem de forma pública, para que a população saiba como cada um se colocou diante da escolha.

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