RJ: operação da PF com auditores em porto resulta em R$ 4,2 milhões apreendidos

Dinheiro foi encontrado em três endereços no Rio e em Niterói durante a Operação Mare Liberum, que apura suspeita de corrupção ligada a importações no Porto do Rio.

29/04/2026 às 10:44 por Redação Plox

A Polícia Federal (PF) consolidou o balanço do dinheiro em espécie apreendido na casa de auditores da Receita Federal no Rio de Janeiro, em ação realizada nessa terça-feira (28/4). Segundo a corporação, o valor contabilizado ultrapassa R$ 4,2 milhões, incluindo cédulas de dólares, euros e reais, apontadas como oriundas de corrupção.

Nas imagens divulgadas, aparece uma grande quantidade de dinheiro em espécie, associada a um esquema de corrupção envolvendo mercadorias importadas no Porto do Rio de Janeiro.


Nas fotos divulgadas, é possível ver uma grande quantidade de dinheiro em espécie, valor proveniente de um esquema de corrupção

Nas fotos divulgadas, é possível ver uma grande quantidade de dinheiro em espécie, valor proveniente de um esquema de corrupção

Foto: Divulgação/Receita Federal


Balanço da apreensão divulgado pela PF

De acordo com o balanço consolidado, foram apreendidos:

  • Dinheiro (Reais): R$ 1.517.750
  • Dinheiro (Dólar): US$ 467.753
  • Dinheiro (Euro): 50.265 EUR
  • Dinheiro (Libras): 140 GBP
  • Celulares: 54
  • Veículos: 17
  • Relógios de luxo: 11
  • Passaportes: 17
  • Armas: 1 revólver
  • Munições: 10 (calibre .38)

Operação Mare Liberum mira suspeita de contrabando e descaminho

A apreensão ocorreu no contexto da Operação Mare Liberum, que investiga uma associação criminosa com envolvimento de importadores, despachantes e servidores públicos, suspeitos de facilitar contrabando e descaminho.

Ao todo, 25 servidores da Receita Federal foram alvo de diligências na manhã dessa terça-feira: 17 auditores fiscais e oito analistas tributários. Eles foram afastados de suas funções no órgão.

Dinheiro foi encontrado em três endereços no Rio e em Niterói

A maior parte do dinheiro em espécie foi localizada em três endereços diferentes. As cédulas em reais, em sua maioria, além de euros e dólares, foram apreendidas na residência de uma auditora da Receita Federal na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio de Janeiro.

Já os dólares que estavam empacotados e embalados em fundo branco foram recolhidos na casa de um auditor em Niterói. Por fim, notas em reais escondidas embaixo da cama, dentro de um pote, foram apreendidas em Copacabana, no Rio, na residência de outro servidor da Receita.

Receita estima impacto bilionário do esquema

Além do dinheiro em espécie, a Receita Federal estima que o esquema de corrupção envolvendo contrabando de mercadorias some cerca de R$ 86,6 bilhões no período de julho de 2021 a março de 2026.

Como a investigação começou

As apurações tiveram início em fevereiro de 2022, a partir de investigações internas da Corregedoria da Receita Federal. Segundo o relato, foi identificada a existência de uma organização criminosa estruturada, formada por servidores públicos, despachantes aduaneiros e empresários.

O grupo atuaria de forma coordenada para liberar mercadorias de maneira irregular, com divergências entre os produtos importados e os declarados, além de possível supressão de tributos.

A investigação apontou três principais frentes de atuação. A primeira consistia na liberação direta de mercadorias classificadas nos canais vermelho e cinza, considerados de alto risco, sem o cumprimento das exigências legais.

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