PF deflagra operação nacional contra abuso sexual infantil e cumpre 159 mandados
Ação ocorre nesta terça (28) em todos os estados e no DF, com 16 mandados de prisão e foco em identificar e prender suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes.
A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo de aeronave pertencente a Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandim OIG, empresário do ramo de apostas on-line. O caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) após a PF identificar que o empresário viajava acompanhado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pelos deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
O inquérito chegou nesta semana ao STF e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que encaminhou o material para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a existência de indícios de crime. Fernandim OIG foi investigado pela CPI das Bets do Senado, cujo relatório final, elaborado pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), foi rejeitado por 4 votos a 3.
Fernandim OIG foi investigado pela CPI das Bets do Senado, que rejeitou o relatório final. Congressistas voltavam do Caribe com empresário
Foto: crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado
A aeronave citada na investigação é um Gulfstream G650, prefixo PP-OIG. O jato fez o trajeto entre a ilha de Saint Martin, apontada como paraíso fiscal caribenho, e a cidade de São Roque (SP), com pouso na noite de 20 de abril de 2025 no aeroporto de Catarina, voltado à aviação executiva. Naquele período, a CPI das Bets estava em funcionamento e contava com a participação de Ciro Nogueira.
A suspeita de contrabando ou descaminho surgiu a partir de uma apuração da PF sobre a corrupção do auditor-fiscal Marco Antônio Canella, indiciado em outro inquérito por facilitação aos mesmos crimes. No caso do voo, segundo a investigação, o servidor da Receita Federal permitiu que o piloto do jato, José Jorge de Oliveira Júnior, passasse com sete volumes de bagagem por fora do raio X no desembarque. De acordo com o relato, câmeras de segurança da aduana registraram a irregularidade.
O processo tramitava na 1ª Vara Federal de Sorocaba (SP), mas foi enviado ao STF em 18 de março por envolver pessoas com prerrogativa de foro. Os donos do material que passou fora do pórtico do raio X não foram identificados. Para a PF, chamou a atenção o fato de o voo ser proveniente de um paraíso fiscal e de o auditor-fiscal já ter sido indiciado por facilitação ao contrabando e ao descaminho, o que motivou a suspeita sobre o conteúdo das bagagens.
A confirmação de que Hugo Motta, Ciro Nogueira, Isnaldo Bulhões e Doutor Luizinho estavam no mesmo voo consta da investigação da PF. Conforme relatório parcial, os quatro teriam submetido seus pertences ao procedimento normal de raio X. O documento aponta que a continuidade das apurações pode indicar eventual envolvimento de algum deles, o que sustentou o envio do caso ao STF.
Cumpri todos os protocolos ao desembarcar e aguardarei manifestação da PGR.
Hugo Motta
A reportagem procurou a assessoria de Ciro Nogueira, que informou não ter resposta sobre o assunto. A assessoria de Doutor Luizinho disse que ele não comentaria o caso. A equipe de Isnaldo Bulhões não respondeu às tentativas de contato.
A reportagem também buscou manifestação do piloto e do auditor-fiscal, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.