Câmara instala comissão para analisar PEC do fim da escala 6x1 e redução da jornada

Colegiado terá até 40 sessões para apresentar parecer e vai avaliar propostas que reduzem a carga semanal para 36 horas, incluindo modelo de quatro dias de trabalho

29/04/2026 às 17:09 por Redação Plox

A Câmara dos Deputados instalou nesta quarta-feira (29) a comissão especial que vai analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, voltada à redução da jornada de trabalho no país e ao fim da escala 6x1. O colegiado deverá se reunir duas vezes por semana e terá até 40 sessões para apresentar parecer.


Câmara instala comissão para analisar PEC do fim da escala 6x1 e redução da jornada.

Foto: Lula Marques/Agencia Brasil


O deputado federal Alencar Santana (PT-SP) foi eleito presidente da comissão por 28 votos favoráveis e três brancos. A relatoria ficará com Leo Prates (Republicanos-BA).

Duas propostas em análise e impacto na escala 6x1

A comissão vai analisar duas propostas de redução de jornada. A primeira, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz a carga semanal de 44 horas para 36 horas, com transição prevista ao longo de dez anos.

Já a proposta apensada, a PEC 8/25, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), estabelece uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Na prática, as PECs acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1). Se aprovadas na comissão especial, as propostas seguem para votação no plenário.

Presidência promete debate amplo

Ao tomar posse, Alencar Santana afirmou que o tema será discutido com amplitude e citou transformações históricas no mundo do trabalho, relacionadas a disputas e mudanças sociais.

Menos de dois séculos atrás, no nosso país, ainda existia escravidão. Nós tivemos, ao longo da história, o trabalho infantil praticamente como regra. Uma exploração brutal de crianças, adolescentes, sem qualquer dignidade, sem qualquer respeito. O mundo avançou, e todas essas mudanças ocorreram com divergências, resistências, mas o mundo foi evoluindo.

Alencar Santana (PT-SP)

O presidente da comissão também mencionou resistências a direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), criada durante o governo de Getúlio Vargas, ao citar debates históricos sobre salário mínimo, férias e décimo terceiro.

Relator defende redução da jornada e qualidade de vida

O relator, Leo Prates, defendeu a redução da jornada e avaliou que a mudança pode ampliar o período de descanso e trazer mais qualidade de vida ao trabalhador, com possibilidade de uso do tempo para convívio familiar, lazer e cuidados com a saúde.

Ele também afirmou que o relatório não terá caráter de confronto e que buscará ser orientado para benefícios sociais e para o futuro do país.

Vice-presidências e composição da comissão

Os integrantes elegeram a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) como primeira vice-presidente, responsável por conduzir os trabalhos na ausência do presidente. Daiana classificou o debate como um momento histórico e defendeu que a medida pode contribuir para um ambiente de trabalho mais digno.

A comissão também escolheu o deputado Luiz Gastão (PSD-CE) como segundo vice-presidente e o deputado Mauro Benevides Filho (União-CE) para a terceira vice-presidência.

Prazos, emendas e agenda de reuniões

Composta por 38 membros titulares e igual número de suplentes, a comissão tem até 40 sessões para apresentar seu parecer. A partir de amanhã, começa o prazo para apresentação de emendas, que será de 10 sessões.

Alencar Santana afirmou que o tempo de análise é curto e que, inicialmente, o colegiado deverá realizar duas reuniões semanais, às terças e quartas-feiras, para discutir a matéria.

A comissão foi criada na sexta-feira (24), após a admissibilidade da proposta ter sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta-feira (22). Na terça-feira (28), ao anunciar a instalação do colegiado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que conversou com o presidente e o relator da comissão para conduzir o debate ouvindo diferentes setores da sociedade, como trabalhadores, empresários, Judiciário, governo, pesquisadores e universidades.

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