Governo de SC anuncia representação à PGR contra Lula por fala sobre racismo em Itajaí

Governador Jorginho Mello disse que as declarações foram xenofóbicas e ofensivas; caberá à PGR avaliar se há elementos para alguma providência.

29/06/2026 às 09:52 por Redação Plox


O governo de Santa Catarina decidiu apresentar uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por declarações feitas durante uma agenda oficial em Itajaí. A gestão estadual sustenta que o discurso teve caráter xenofóbico e atingiu a honra dos catarinenses.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante evento em Itajaí (SC)  •

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante evento em Itajaí (SC) •

Foto: Ricardo Stuckert / PR

A medida foi anunciada pelo governador Jorginho Mello (PL), que informou que o documento seria encaminhado à PGR nesta segunda-feira (29). A apresentação da representação, por si só, não confirma a ocorrência de crime nem implica a abertura automática de uma investigação.

Lula falou sobre racismo e citou Hitler

As declarações ocorreram na sexta-feira (26), durante uma passagem de Lula por Itajaí que incluiu o lançamento da Fragata Cunha Moreira e compromissos ligados à indústria naval. Ao defender políticas de cotas raciais, o presidente afirmou que a população não deveria permitir que o racismo prevalecesse em Santa Catarina.

Lula também rejeitou ideias de superioridade racial ou regional, mencionou Adolf Hitler e criticou o que chamou de “hegemonia branca”. Para o governo catarinense, as declarações foram interpretadas como uma generalização sobre os moradores do estado.

Jorginho Mello afirmou que críticas políticas fazem parte do debate público, mas considerou inaceitável atribuir comportamento racista à população catarinense.

Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso declarou.

Discussão envolve lei catarinense sobre cotas

O discurso ocorreu meses depois de Santa Catarina aprovar a Lei estadual 19.722/2026, que proibia cotas étnico-raciais em universidades públicas estaduais e em instituições privadas que recebessem recursos do estado. Em abril, o Supremo Tribunal Federal considerou a norma inconstitucional.

Caberá à PGR analisar o conteúdo apresentado pelo governo estadual e decidir se há elementos para alguma providência. Até a atualização da reportagem da CNN Brasil no domingo (28), a Secretaria de Comunicação da Presidência da República não havia se manifestado sobre o anúncio.

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