Hospital da Fhemig faz primeira aplicação de polilaminina pelo SUS em Minas

Procedimento no Complexo Hospitalar de Barbacena foi autorizado pela Anvisa por uso compassivo e, segundo o Governo de Minas, é o primeiro do tipo na rede estadual e pelo SUS no estado.

29/06/2026 às 07:24 por Redação Plox

Um paciente de 28 anos com lesão grave na medula recebeu uma aplicação experimental de polilaminina no Complexo Hospitalar de Barbacena, unidade da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Realizado na terça-feira (23), o procedimento foi o primeiro na rede estadual e, conforme divulgado pelo Governo de Minas, também o primeiro pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.


Hospital da Fhemig faz primeira aplicação de polilaminina pelo SUS em Minas

Hospital da Fhemig faz primeira aplicação de polilaminina pelo SUS em Minas

Foto: : Viviane Matoba / Divulgação


Geovani Campos Canton ficou ferido em um acidente de motocicleta ocorrido na noite de sexta-feira (19). Ele foi levado ao hospital, passou por uma cirurgia no domingo (21) e, após avaliação médica, foi considerado elegível para o protocolo. A documentação necessária foi preparada para que a substância pudesse ser aplicada nos primeiros dias depois do trauma.

A frase em latim “Fortis fortuna adiuvat”, tatuada nas costas de Geovani e traduzida como “a sorte favorece os corajosos”, ganhou novo significado durante a internação. Apesar da gravidade da lesão, o paciente demonstrou confiança no tratamento e disse estar otimista com as próximas etapas da recuperação.


O paciente Geovani Campos Canton, primeiro a receber a polilaminina pelo SUS em Minas Gerais.

O paciente Geovani Campos Canton, primeiro a receber a polilaminina pelo SUS em Minas Gerais.

Foto: Viviane Matoba / Divulgação


Tratamento ainda está em fase experimental

A Fhemig informou que a aplicação ocorreu por meio de um protocolo de uso compassivo autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Essa modalidade possibilita, em condições específicas, o acesso de pacientes graves a substâncias ainda não registradas e em fase de investigação, quando não existem alternativas terapêuticas equivalentes.

A polilaminina é produzida a partir da laminina, proteína presente no organismo e relacionada ao desenvolvimento das células nervosas. Os pesquisadores avaliam se a substância pode criar uma estrutura semelhante a um “andaime” na região lesionada, favorecendo o crescimento dos axônios e a reconstrução de conexões do sistema nervoso.

A Anvisa ressalta, entretanto, que os estudos clínicos estão em fase inicial e têm como objetivo principal avaliar a segurança da aplicação. Ainda não há comprovação de eficácia nem garantia de reversão de paralisias ou de recuperação dos movimentos. Possíveis ganhos neurológicos também podem variar conforme a extensão e as características de cada lesão.

Fisioterapia será parte essencial da recuperação

Mesmo após o procedimento, Geovani deverá continuar acompanhado por uma equipe multidisciplinar. A fisioterapia será necessária para estimular as conexões nervosas, preservar a mobilidade e contribuir para o reaprendizado funcional durante a reabilitação.

Profissionais ligados ao Projeto Polilaminina, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), participaram do procedimento em Barbacena. O transporte da equipe teve apoio do Batalhão de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Saúde. Até a divulgação oficial, não havia sido informado se o paciente já apresentava alguma mudança neurológica após a aplicação.

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